
Tem uma música dos Titãs que diz : “Palavras não são más\Palavras não são quentes\Palavras são iguais\Sendo diferentes”.
Todo ponto final guarda o embrião dos outros tipos de pontos. Reticências, exclamações, interrogações. Todo nascimento de uma nova frase envolve terminar a anterior, ainda que com dor, assim como as fases de nossa vida. Fase, frase. Só diferencia um “r” e um ponto no final.
Eu tive toc. Transtorno Obsessivo Compulsivo. Eu tive pensamentos obsessivos. Dói? Dói admitir. Doeu no passado? Muito.
Lembro de uma história sobre torturas na segunda guerra mundial que uma ex-professora contou. Era sobre um gato que era posto na barriga da vítima. Ao acordar da anestesia, o gato a arranhava de dentro pra fora, até ela morrer.
A vergonha é assim. Ela corrói o estômago e a alma.
Eu consegui evoluir muito no tratamento do toc. Depois de muita terapia, ler sobre, raciocinar.
Ameaça—vem pensamento para conter a ameaça- vem a compulsão para conter o pensamento. Uma lógica dolorosa.
Mas afinal de contas que ameaça tão grande seria essa?
Você, caro leitor, deve estar pensando, claro, vivemos todo dia sobre diversos tipos de ameaças. Mas pior que a ameaça é a vergonha de admitir as vergonhas entaladas. Das muitas máscaras que usamos, a verdade é a única detox para nosso rosto e consciência.
Ela não dói, ela liberta de uma ilusão mais dolorosa ainda.
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