
“Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão / eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos / como um deus / e amanheço mortal”
— Lenine
Entrei no shopping com saudade do meu caldo-de-cana dos sábados na pós-graduação e, com tristeza, vi que havia fechado a loja física, ficando só no delivery. Fui para outra loja de comida saudável e lembrei de ver o que tinha no cinema.
Nada mal para uma quarta-feira à tarde.
Consegui assistir à pré-estreia do novo Superman, do diretor James Gunn, e me deparei com uma obra sensível, política, com direção de arte impactante, que leva a várias reflexões.
A história se passa nos tempos atuais, em que as redes sociais formam opiniões e destroem reputações em minutos.
Jesus disse uma vez, em João 5:41: “Eu não recebo glória que venha dos homens.”
Superman aprende a filtrar a opinião dos mesmos que o elevaram, agora querendo lhe cancelar.
O “vídeo” controverso de seus pais originais me lembrou uma ideia da constelação familiar: honre seus pais fazendo algo de bom com sua vida.
Não importa o que disseram, mas o que você faz com aquilo que lhe orientaram.
Superman salva o mundo mais uma vez. E aprende a salvar a si mesmo.
A obsessão de Lex Luthor pelo Superman é algo realmente patológico. Vencido por seu próprio delírio de grandeza, no melhor estilo “Everybody Wants to Rule the World”, ele odeia que Clark Kent apareça na mídia, que seja o centro das atenções, que seja alienígena.
No final, admite sua inveja porque claramente tem traços narcisistas. Se acha superior a Newton, Einstein, e gosta de citar que “a inteligência vence a força bruta”, em clara alusão aos superpoderes do herói.
Em um dos diálogos finais, Superman diz:
— Sou humano, sim, e essa é minha força!
Isso foi música para meus ouvidos, mestre em Humanidades Médicas. O filme termina com uma música belíssima de Iggy Pop, que combina com o herói.
É preciso, nessa estrada que encontra nossa alma indomável, domesticar amores e ódios caseiros, que nascem do nosso cotidiano, dos nossos conflitos com as angústias que bebem café e dividem travesseiro com a gente.
Ensinar-lhes o caminho das pedras, do contentamento e do desapego que leva ao céu.
Penso que temos sede de céu desde pequenos. Mas é preciso apagar a chama de nossos pequenos infernos primeiro. Ou pode chamar de crise existencial.
Saí do cinema. Ainda eram 16 horas.
Lembrei de uma fala do herói na prisão:
— Não basta a kriptonita. Eu preciso da luz do sol para me recuperar!
“Eu também, eu também…”, pensei, quando encontrei o sol do meu verão eTHErno.
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