
Olho no celular a notícia que minha professora fez sua passagem. Justo um dia depois da consulta sobre apnéia do sono que me fez ter certeza que não se controla muita coisa na vida. Que minha vida estava em risco se eu não cuidasse.
Lembrei de uma frase sua que citei no meu primeiro livro de 2015:
“Meu coração é um pássaro alongando o céu das incertezas.”
Tive a honra de ser sua aluna aos 13 anos. E pela primeira vez vi meu ego ser abalado ao cair de minhas notas. Mas eu aceitei o desafio. E tirei 10 na última prova do ano da sétima série.
O famoso “10” na última prova de redação do ano foi o arremate final daquele ano, do desafio de conquistar aquela poetisa celebridade. Tive a honra de escritora dividir o palco no lançamento de meu primeiro livro e escutar sua voz dizendo:
“O escritor nunca pode se importar com críticas.”
Ela não conseguiu me dar o texto a tempo. Também tive a honra de ser citada na mesma página do livro de Literatura Piauiense do professor Luis Romero.
Morreu logo hoje que eu, aos 36, não tenho certeza de quase nada. Nem de como estou viva com essa apneia do sono prolongada e aguda. Eu pensei que já estaria estabilizada na vida, mas descobri me equilibrando na jornada. No caminho. Mas nunca desistindo. Sempre voando meus voos únicos e alongando os céus de minhas novas incertezas.
Lembro, no colégio, da excitação que eu tinha durante as provas de redação. A folha em branco. O borrão. A escrita minuciosa feito arte. A esperada nota azul. A adrenalina de se superar.
A senhora sempre dizia que quanto mais escrevíamos melhor ficava. Mas uma hora tínhamos de entregar o texto.
Hoje também iniciei minha mudança. Há partos que iniciam tarde, mas têm de ser feitos, para novos ciclos se iniciarem, para novos ares serem respirados.
Eu tinha um borrão para minha vida. Ela não saiu como planejado. Mas quer saber? Em alguns aspectos me surpreendeu. Talvez porque o borrão é nosso. Mas a parte final é de Deus mesmo.
Ele corrige, dá a nota, direciona.
Gratidão eterna, mestre.
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