
É isso mesmo. O endividamento bateu um novo recorde e agora atinge 82% (oitenta e dois por cento) das famílias, de acordo com matérias publicadas há pouco em vários veículos de imprensa. O que é endividamento? O endividamento é o ato ou o estado de possuir dívidas ativas, como compras parceladas, empréstimos ou financiamentos, que comprometem parte da renda futura de uma pessoa ou empresa.
O que costuma compor o endividamento? Faturas de compras à vista ou parceladas no cartão de crédito; crédito pessoal, consignado ou para aquisição de imóveis e veículos, por meio de empréstimos ou financiamentos; além de compromissos regulares assumidos com prazo determinado para pagamento, como contas e boletos.
Moço, quais são as principais notícias do dia de hoje? Além do endividamento das famílias, não há outra mais evidente? Até mesmo a velha mídia está promovendo seminários sobre isso; lógico que também aborda a dívida pública. Afinal, não é o endividamento público que estimula o endividamento pessoal?
Olha só o que diz o Estadão, por meio de sua redação: "Efeitos do aumento da dívida são visíveis e ajuste fiscal é urgente, dizem Vescovi e Schwartsman." Economistas participaram do primeiro debate da série "Brasil 2027: Caminhos para o País", do Estadão.
E dizem mais: a questão do descontrole das contas públicas no Brasil, que levou o endividamento do governo a um patamar acima de 80% do PIB, é um problema fundamental que precisará ser enfrentado por quem quer que assuma a Presidência da República em 2027. Mas, para Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional, e Alexandre Schwartsman, consultor da Pinnotti & Schwartsman Associados e ex-diretor do Banco Central, apesar da importância do tema, ele deve aparecer muito pouco — ou nada — na campanha eleitoral, o que é muito preocupante. Os economistas participaram do primeiro debate da série do Estadão "Brasil 2027: Caminhos para o País".
"O cenário é muito preocupante", disse Vescovi. "Se nós não resolvermos, ou endereçarmos, esse problema, estaremos convivendo com uma deterioração crescente. É difícil falar de uma crise iminente; dependeria de eventos que não temos capacidade de prever. Mas essa é uma dívida que cresce de forma persistente, continuará crescendo e está elevando muito o custo do capital no Brasil."
"Essa trajetória da dívida que nós temos é insustentável", disse Schwartsman. "E os números (dívida de 81,9% do PIB) ainda são apresentados em um conceito muito particular brasileiro. Se adotarmos uma contabilidade mais semelhante à utilizada no restante do mundo, em linha com o que o FMI faz, já estamos na casa dos noventa e poucos por cento, batendo os recordes da pandemia. Isso era compreensível durante a pandemia, mas hoje é injustificável."
Segundo Vescovi, o grande problema em relação às contas públicas é o aumento das despesas em um processo praticamente sem freio. Ela lembra que, neste ano, por exemplo, no primeiro semestre, as receitas do governo vêm crescendo a um ritmo de 5%, o que pode ser considerado um bom número. "O problema é que as despesas sobem 10%", disse.
De acordo com Schwartsman, de 2022 para cá, as receitas do governo cresceram, em valores já corrigidos pela inflação, R$ 280 bilhões, o que representa algo em torno de 2% do PIB, um número bastante considerável. O problema, diz ele, é que as despesas, no mesmo período, aumentaram de R$ 460 bilhões para R$ 480 bilhões. Esse é um ritmo completamente insustentável.
Endividamento novamente? Virou tema familiar? Não há um lugar onde não se fale do alto custo de vida e do endividamento. Mas como as pessoas estão endividadas e, ainda assim, sobra dinheiro para os vícios da carne e do dia a dia? O correto não é afirmar que os problemas econômicos sempre foram decisivos no ambiente político-eleitoral? O povo está sofrendo e está se acostumando a não pagar mais as contas?
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