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Justiça SOMOS APENAS PÓ?

O que os desejos provocam?

Muitos homens de poderes acreditam apenas nesta vida?

06/08/2026 às 11h01 Atualizada em 06/08/2026 às 11h15
Por: Josenildo Melo
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Foto: https://www.gettyimages.com.br/
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Os desejos da carne? Injustiças. Homens insanos e inescrupulosos são capazes de matar, roubar, ludibriar e enganar, tudo em nome da satisfação de seus desejos carnais. Muita gente sabe disso e não fala nem escreve mais sobre os aspectos morais que deveriam reger uma sociedade civilizada.

Afinal, quais são os sete pecados capitais? Os sete pecados capitais são vícios ou falhas humanas que dão origem a outros pecados. Eles foram definidos pela tradição cristã e são: soberba (orgulho excessivo), avareza (ganância por dinheiro), inveja (tristeza pelo bem alheio), ira (raiva descontrolada), luxúria (desejo carnal excessivo), gula (excesso de comida ou bebida) e preguiça (falta de vontade para agir ou rezar).

Qual o sentido de levantar essas questões? Você acredita que o mundo político é maldoso por si só? Com certeza, não é. O que costumeiramente cerca os políticos, e de forma especial os políticos profissionais? Assessores, em sua grande maioria, sem índole cristã ou qualquer senso moral. Todo bom político deveria prezar pela escolha de sua assessoria e, de forma especial, daqueles que ficam mais próximos.

Vejam só do que os desejos são capazes. Os desejos pessoais interferem na construção de uma sociedade justa e fraterna. Soberba: orgulho excessivo e arrogância. Avareza: apego exagerado aos bens materiais e ao dinheiro. Inveja: descontentamento com a felicidade ou as posses dos outros. Ira: raiva intensa que busca a vingança ou o mal. Luxúria: desejo passional e desordenado pelos prazeres sexuais. Gula: consumo exagerado e sem moderação de comida ou bebida. Preguiça: negligência, apatia ou falta de empenho nas obrigações.

Mas as pessoas são boas, e é o sistema que as transforma? É sempre a mesma frase usada para que nada mude e tudo continue da mesma forma. Thomas Morus não se curvou aos desejos do rei contra a cristandade. Ainda existem homens capazes de não se submeter a tudo o que seus governantes desejam? Deveriam existir.

Quer saber o que os desejos provocam nos governantes, principalmente os desejos da carne? Reserve um bom tempo e assista à série The Tudors, que retrata a vida e o reinado do rei Henrique VIII da Inglaterra no século XVI. A produção dramática mostra suas seis esposas, os fortes conflitos com a Igreja Católica, a criação da Igreja Anglicana e as grandes intrigas políticas da corte.

Mas isso era nos séculos XIV, XV e XVI? Apenas o nome mudou, sem alterar sua essência. A "corte", que nos dias atuais fica em torno dos "reis", não alterou sua forma de atuação. Existe até o ditado: dividir para melhor governar. Os "reis" atuais, sejam participantes do governo nacional ou estadual, vivem a colocar uns contra os outros para que seus desejos sejam saciados.

E o que a satisfação dos desejos provoca? Descaso nos setores da saúde, da educação, da segurança e em tantos outros. Qual a primeira atitude dos governantes atuais ao chegarem ao poder? Precisa dizer? Não é preciso explicitar; todos sabem quais são os primeiros atos ao tomarem posse.

Fernando Henrique Cardoso, em livros escritos sobre sua biografia, segundo muitos autores, teria cunhado a frase: "Quem está no poder não abre portas." O sentido da expressão é que, antes mesmo de tentar colocar a mão em uma maçaneta, logo aparece alguém para abrir a suposta porta.

Quer saber um pouco mais sobre como funcionam, de fato, os poderes? Leia A Elite do Poder, de autoria de C. Wright Mills. Publicado originalmente em 1956, A Elite do Poder é um clássico da sociologia norte-americana que não envelheceu. C. Wright Mills examina a estrutura do poder nos Estados Unidos da América e demonstra como as decisões que afetam a vida de milhões são tomadas por um pequeno círculo de homens que transitam entre o mundo corporativo, o aparato militar e a cúpula política — não por conspiração, mas por coincidência de interesses, origem social comum e intercambialidade de posições.

Décadas depois de sua publicação, a análise de Mills permanece indispensável para compreender não apenas os Estados Unidos, mas qualquer sociedade em que o poder se concentra enquanto a democracia formal persiste como mecanismo de legitimação. Em tempos de crescente opacidade das decisões públicas e de fusão entre elites econômicas, militares e políticas, A Elite do Poder continua sendo uma referência incontornável para quem deseja compreender as dinâmicas reais do poder.

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Sobre Josenildo Nascimento Melo é jornalista, estudou direito, é Bacharel em Serviço Social pelo ICF - Instituto Camillo Filho. É também licenciado em Filosofia pelo ICESPI - Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí.
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