
O caso Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência, parece ter ramificações muito maiores do que se imaginava. E a reportagem do Metrópoles, assinada por Andreza Matais, coloca o Maranhão no centro de uma nova frente de apuração: segundo a publicação, um pagamento de R$ 5,9 milhões teria sido acertado com um aliado do governador Carlos Brandão (MDB) pela atuação da lobista na intermediação de recursos para o Estado.
Luchsinger teria atuado na negociação de verbas envolvendo áreas como Saúde e Casa Civil. O episódio levanta uma pergunta inevitável: se a atuação alcançou o Maranhão, até onde chegam os tentáculos desse esquema?
E o Piauí entra nessa história.
A presença de Roberta Luchsinger no Estado não é uma suposição. O próprio Metrópoles publicou que ela fez campanha para Rafael Fonteles e Wellington Dias durante as eleições de 2022.
Em agosto daquele ano, Luchsinger apareceu ao lado dos dois políticos em agenda de campanha. Nas redes sociais, declarou apoio à chapa e publicou mensagem de incentivo a Rafael. O então candidato agradeceu a visita e respondeu à publicação.
Mas há mais.
Um vídeo de campanha mostra Rafael Fonteles e Roberta Luchsinger dançando juntos durante um ato eleitoral, ao som de uma música com o número do então candidato. As imagens foram reveladas pelo Metrópoles.
A questão, portanto, não é se Luchsinger esteve no Piauí. Ela esteve. Fez campanha. Apareceu ao lado de Rafael. E teve contato com figuras da política local.
A pergunta é outra: o que aconteceu depois?
Essa é a pergunta que precisa ser respondida com documentos, contratos e transparência.
O Metrópoles informou que o Governo do Piauí declarou não ter tido tratativas com Roberta Luchsinger ou com empresas e pessoas ligadas a ela. Segundo a Secretaria de Comunicação, “o Governo do Estado do Piauí nunca teve nenhuma tratativa com nenhuma empresa ou pessoa ligada à sra. Roberta Luchsinger”.
A mesma reportagem informou que empresas de Luchsinger ou de clientes ligados a ela não apareciam, naquele levantamento, entre as empresas que fizeram negócios com o governo Rafael Fonteles. O Ministério do Desenvolvimento Social também afirmou não possuir contratos com empresas da lobista.
Então, fica a questão que não pode ser respondida por insinuações, mas por transparência documental:
Houve algum contrato? Alguma intermediação? Alguma verba federal negociada? Algum negócio envolvendo empresas ligadas a Luchsinger ou a seus clientes?
Se não houve, os documentos podem esclarecer.
É justamente aí que a reportagem do Metrópoles aumenta a dimensão do caso.
Segundo a publicação, Luchsinger teria negociado recursos para o Maranhão e recebido R$ 5,9 milhões relacionados à atuação junto ao governo estadual. A reportagem também cita a participação de um aliado de Carlos Brandão no acerto.
O episódio coloca outra pergunta sobre a mesa: qual era exatamente o papel da lobista na liberação de recursos e quem pagava por essa intermediação?
É importante separar, neste momento, investigação de condenação. As informações divulgadas pelo Metrópoles dizem respeito a apurações e documentos obtidos no curso das investigações. Isso não significa, por si só, que todos os citados tenham cometido irregularidades.
O Piauí tem um elemento que não pode ser ignorado: Luchsinger fez campanha para Rafael Fonteles em 2022 e apareceu ao lado dele em material eleitoral. O governador posteriormente afirmou que não tinha vínculo ou proximidade com ela e que seu governo não mantinha relação com a empresária.
Agora, diante das novas informações reveladas pelo Metrópoles sobre sua atuação em outros Estados, a questão ganha outra dimensão jornalística.
Afinal, houve ou não alguma relação comercial, institucional ou de intermediação entre Roberta Luchsinger e o Governo do Piauí?
A resposta não precisa vir em discurso político. Pode vir dos contratos, dos empenhos, dos pagamentos, das agendas oficiais e dos registros públicos.
Porque, quando uma investigação começa a revelar tentáculos em diferentes Estados, a pergunta mais importante deixa de ser apenas “onde ela esteve?”
Passa a ser:
“O que ela foi fazer em cada lugar — e quem pagou a conta?”









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