Sábado, 26 de Setembro de 2026
32°

Tempo nublado

Teresina, PI

Política TENTÁCULOS

Até tu, Brandão? Caso Roberta Luchsinger alcança o Maranhão e levanta perguntas sobre outros Estados

Reportagem do Metrópoles aponta pagamento de R$ 5,9 milhões ligado à atuação da lobista no Maranhão; no Piauí, Luchsinger fez campanha para Rafael Fonteles e aparece ao lado do governador em vídeo de 2022

26/09/2026 às 13h58
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Roberta Luchsinger em Paris - Foto: Reprodução
Roberta Luchsinger em Paris - Foto: Reprodução

O caso Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência, parece ter ramificações muito maiores do que se imaginava. E a reportagem do Metrópoles, assinada por Andreza Matais, coloca o Maranhão no centro de uma nova frente de apuração: segundo a publicação, um pagamento de R$ 5,9 milhões teria sido acertado com um aliado do governador Carlos Brandão (MDB) pela atuação da lobista na intermediação de recursos para o Estado.

Luchsinger teria atuado na negociação de verbas envolvendo áreas como Saúde e Casa Civil. O episódio levanta uma pergunta inevitável: se a atuação alcançou o Maranhão, até onde chegam os tentáculos desse esquema?

E o Piauí entra nessa história.

Luchsinger esteve no Piauí

A presença de Roberta Luchsinger no Estado não é uma suposição. O próprio Metrópoles publicou que ela fez campanha para Rafael Fonteles e Wellington Dias durante as eleições de 2022.

Em agosto daquele ano, Luchsinger apareceu ao lado dos dois políticos em agenda de campanha. Nas redes sociais, declarou apoio à chapa e publicou mensagem de incentivo a Rafael. O então candidato agradeceu a visita e respondeu à publicação.

Mas há mais.

Um vídeo de campanha mostra Rafael Fonteles e Roberta Luchsinger dançando juntos durante um ato eleitoral, ao som de uma música com o número do então candidato. As imagens foram reveladas pelo Metrópoles.

A questão, portanto, não é se Luchsinger esteve no Piauí. Ela esteve. Fez campanha. Apareceu ao lado de Rafael. E teve contato com figuras da política local.

A pergunta é outra: o que aconteceu depois?

Foi tudo de graça?

Essa é a pergunta que precisa ser respondida com documentos, contratos e transparência.

O Metrópoles informou que o Governo do Piauí declarou não ter tido tratativas com Roberta Luchsinger ou com empresas e pessoas ligadas a ela. Segundo a Secretaria de Comunicação, “o Governo do Estado do Piauí nunca teve nenhuma tratativa com nenhuma empresa ou pessoa ligada à sra. Roberta Luchsinger”.

A mesma reportagem informou que empresas de Luchsinger ou de clientes ligados a ela não apareciam, naquele levantamento, entre as empresas que fizeram negócios com o governo Rafael Fonteles. O Ministério do Desenvolvimento Social também afirmou não possuir contratos com empresas da lobista.

Então, fica a questão que não pode ser respondida por insinuações, mas por transparência documental:

Houve algum contrato? Alguma intermediação? Alguma verba federal negociada? Algum negócio envolvendo empresas ligadas a Luchsinger ou a seus clientes?

Se não houve, os documentos podem esclarecer.

E o Maranhão?

É justamente aí que a reportagem do Metrópoles aumenta a dimensão do caso.

Segundo a publicação, Luchsinger teria negociado recursos para o Maranhão e recebido R$ 5,9 milhões relacionados à atuação junto ao governo estadual. A reportagem também cita a participação de um aliado de Carlos Brandão no acerto.

O episódio coloca outra pergunta sobre a mesa: qual era exatamente o papel da lobista na liberação de recursos e quem pagava por essa intermediação?

É importante separar, neste momento, investigação de condenação. As informações divulgadas pelo Metrópoles dizem respeito a apurações e documentos obtidos no curso das investigações. Isso não significa, por si só, que todos os citados tenham cometido irregularidades.

E o Piauí?

O Piauí tem um elemento que não pode ser ignorado: Luchsinger fez campanha para Rafael Fonteles em 2022 e apareceu ao lado dele em material eleitoral. O governador posteriormente afirmou que não tinha vínculo ou proximidade com ela e que seu governo não mantinha relação com a empresária.

Agora, diante das novas informações reveladas pelo Metrópoles sobre sua atuação em outros Estados, a questão ganha outra dimensão jornalística.

Afinal, houve ou não alguma relação comercial, institucional ou de intermediação entre Roberta Luchsinger e o Governo do Piauí?

A resposta não precisa vir em discurso político. Pode vir dos contratos, dos empenhos, dos pagamentos, das agendas oficiais e dos registros públicos.

Porque, quando uma investigação começa a revelar tentáculos em diferentes Estados, a pergunta mais importante deixa de ser apenas “onde ela esteve?”

Passa a ser:

“O que ela foi fazer em cada lugar — e quem pagou a conta?”

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários