
O concurso da Polícia Civil do Piauí deixou um rastro de tristeza e decepção para boa parte dos concurseiros que fizeram a prova no último final de semana. O tema virou assunto principal nas redes sociais. O certame apresentou uma prova que eliminou a maioria massiva dos candidatos, e não foi por falta de preparo.
O Piauí é um dos estados com maior índice de referência em educação e comprometimento com os estudos, além de ser palco de um dos melhores cursos preparatórios para concursos de carreiras policiais do país. Mas por que a prova foi tão ruim? Tida como quase impossível de alcançar a pontuação desejada para obter o cargo? Com quase 24 mil inscritos, essa é a opinião que impera entre os que fizeram a prova: o nível de dificuldade estava acima do esperado para um concurso da Polícia Civil. O discurso que se escuta, inclusive de professores e especialistas da área, é que a prova estava incompatível com concursos da mesma carreira.
Isso causou grande espanto e indignação por parte de pessoas que se esforçaram e estudaram conforme o edital. Muitos desistiram antes mesmo de fazer a prova devido à exigência da banca de que o candidato à vaga acertasse, no mínimo, 50% de cada matéria. Ou seja, mesmo atingindo a pontuação total necessária, se deixasse alguma disciplina sem alcançar os 50% mínimos exigidos, o candidato seria automaticamente reprovado.
A banca examinadora foi a FGV, e o que paira no ar é se ela irá ou não flexibilizar o critério dos 50% de acertos em cada matéria, ou até mesmo refazer o concurso. Até porque, pelo nível da prova, aqueles que conseguiram aprovação facilmente passariam em concursos mais vantajosos, com salários mais altos, como os de tribunais, por exemplo.
A pergunta que fica é: qual seria o sentido de uma prova desse nível? Aplicar um exame com grau de dificuldade tão elevado, principalmente na disciplina de informática, que nem mesmo técnicos e professores da área tiveram facilidade em responder? As questões de informática foram extremamente específicas, de forma que nem os cursos preparatórios foram capazes de prever. Não se conhecem os critérios nem quem foram os aprovados, mas o concurso gerou grande indignação e tristeza por parte dos concurseiros.
Diante de tudo isso, o que se espera é transparência, coerência e respeito com os milhares de candidatos que se dedicaram durante meses, muitos conciliando trabalho, família e estudo. Um concurso público deve selecionar os mais preparados, não desestimular quem leva o estudo a sério. O que fica é a expectativa por esclarecimentos da banca e por decisões que restabeleçam a confiança no certame.
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