
Vivemos uma era em que números de seguidores muitas vezes pesam mais do que anos de experiência e trajetórias profissionais sólidas de quem já está consolidado na carreira. O avanço das redes sociais criou uma vitrine onde muitos profissionais passaram a ser julgados não pela competência, mas pela capacidade de atrair curtidas e engajamento.
Esse fenômeno tem consequências sérias. Pessoas qualificadas, com anos de carreira, ficam invisíveis porque não ostentam milhares de seguidores. Enquanto isso, indivíduos com pouca ou nenhuma formação adequada se destacam apenas pelo apelo digital. A falsa equivalência entre seguidores e credibilidade gera um desequilíbrio perigoso no mercado de trabalho.
Na área da saúde, o problema é ainda mais grave. Muitos pacientes, seduzidos pela “autoridade” das redes, acabam confiando sua saúde a quem construiu reputação apenas na base de marketing e autopromoção. Não são poucos os casos de pessoas prejudicadas por maus profissionais que usaram a notoriedade digital como credencial. Há processos na justiça em andamento, e vítimas esperando reparação que, muitas vezes, chega tarde demais, problemas de saúde graves, os danos vão de problemas graves de saúde a resultados que destroem a autoestima, chegando a mutilações que comprometem para sempre a vida dessas pessoas.
Segundo ao The Independent de Nova York, uma clínica estética que chamava atenção por seu marketing “Instagramável” estava operando sob a supervisão de um cirurgião plástico que teve sua licença suspensa por má conduta. Mesmo assim, continuou agindo em função da fama. Nó processo, foi alegado que este influenciador incentivou funcionários a aplicarem substâncias não aprovadas em pacientes, tudo para manter o apelo visual e o fluxo de clientes.
Esse caso mostra como os seguidores podem fornecer uma espécie de “fachada” de credibilidade, mesmo quando padrões técnicos ou éticos não estão sendo respeitados. A popularidade dá espaço para operar na borda da legalidade ou mesmo além.
O que está em jogo não é apenas o prestígio profissional, mas a própria confiança social. Quando a popularidade é confundida com profissionalismo, abre-se espaço para charlatanismo, irresponsabilidade e, em última instância, tragédias pessoais.
É urgente que a sociedade volte a valorizar o conhecimento real, as certificações e a trajetória profissional. Redes sociais podem ser ferramentas poderosas de divulgação, mas jamais devem substituir a seriedade da formação e da experiência. O número de seguidores pode até impressionar, mas não salva vidas, não garante competência e não assegura ética.
CONCURSO Polícia Civil do Piauí: o concurso mais controverso do ano
SAÚDE Transplantes de órgãos: quanto tempo duram?
BLINDAGEM PEC da impunidade
Mín. 23° Máx. 32°