
Existe algo na política brasileira que quando se fala em corrupção política no Brasil, muita gente pensa logo em Brasília, em presidente, senadores e deputados. Mas a verdade é que a corrupção não acontece apenas no alto escalão político. Ela também acontece nas pequenas cidades, nas câmaras de vereadores e nas prefeituras, bem perto da gente.
E uma das coisas que eu tenho analisado durante anos é que a população tem plena consciência disso. Desconfia do enriquecimento rápido de certos prefeitos e vereadores, percebe quando o dinheiro some, quando as obras não saem do papel e quando o mínimo deixa de ser feito. Mas, mesmo assim, não denuncia, não cobra, não faz nada. Pelo contrário: tem gente que ainda defende esses políticos com unhas e dentes.
Em muitos municípios, é como se fosse proibido ir contra quem está no poder. Todo mundo vê o que está errado, mas prefere se calar. Existe o medo de perder favores: um exame médico, um gás de cozinha, uma ajuda qualquer. Quem critica corre o risco de ser deixado de lado, de ser excluído, e por isso muita gente fica quieta, mesmo sabendo que está sendo enganada.
Até vereadores que já foram oposição, que poderiam usar a voz para fiscalizar e cobrar, preferem se calar para não perder alianças e oportunidades futuras. Assim, de cidade em cidade, a mesma história se repete: políticos que entram pobres e saem ricos, ostentando bens que jamais conseguiriam comprar apenas com o salário que recebem. E tudo isso acontece diante de uma população que vê, mas não reage.
Quanto mais medo o povo tem de criticar, de apontar falhas e pedir melhorias, menos medo o político tem de desviar, de prometer e não cumprir. Eles sabem que o povo não cobra, não se revolta, não reage. O resultado é simples: nós cada vez mais pobres, e eles cada vez mais ricos.
Privilégios para eles. Impostos para nós.
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