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Editorial CONEXÃO SUL

A sexualização de menores virou negócio

A repercussão expôs um cenário perturbador

11/08/2025 às 13h34
Por: Carolina Vedovato Fonte: CAROLINA VEDOVATO
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A sexualização de menores virou negócio

Nos últimos dias, o influenciador Felca trouxe para o centro do debate nas redes sociais o grave tema da exploração e sexualização de menores na internet, um problema que, embora não seja recente, voltou a ganhar força após a viralização de um vídeo publicado por ele. A repercussão expôs um cenário perturbador: influenciadores e administradores de páginas que, de forma direta ou indireta, incentivam crianças e adolescentes a se sexualizarem diante das câmeras, transformando sua imagem e inocência em moeda de troca para engajar públicos e faturar fortunas.

Esse tipo de conteúdo, muitas vezes mascarado sob a aparência de “desafios”, “trends” ou “humor”, se torna ainda mais alarmante quando analisamos quem está do outro lado da tela. Entre curtidas e comentários, há também pedófilos e abusadores que se aproveitam desse material para alimentar comportamentos criminosos. O impacto não se limita à esfera digital: afeta profundamente o desenvolvimento cognitivo, emocional e social dessas crianças e adolescentes, moldando sua autoestima e percepção de valor de forma distorcida.

O estímulo precoce à sexualização interfere diretamente na formação da identidade de crianças e adolescentes. Ao serem induzidos a exibir comportamentos e imagens com apelo sexual, passam a acreditar que seu valor está diretamente ligado à aparência e à capacidade de chamar atenção nas redes. Isso compromete o desenvolvimento emocional e pode resultar em baixa autoestima, depressão, ansiedade e dificuldade em estabelecer relações saudáveis no futuro. Além disso, a exposição constante aumenta a probabilidade de serem alvo de crimes virtuais, chantagens e assédio.

As redes sociais, que lucram com cada clique, visualização e interação, têm um papel crucial nesse problema. Apesar de políticas internas que afirmam combater a exploração infantil, muitas dessas empresas falham na fiscalização e permitem que conteúdos inapropriados circulem por longos períodos, atingindo milhões de usuários. A monetização de vídeos e fotos que exploram a imagem de menores é uma falha ética e jurídica que precisa ser enfrentada com rigor, por meio de filtros mais eficientes, denúncias rápidas e punições exemplares.

Embora plataformas e influenciadores precisem ser responsabilizados, o cuidado começa em casa. Cabe aos pais e responsáveis orientar, supervisionar e impor limites claros ao uso da internet. No entanto, quando a exposição de crianças começa a gerar lucro, muitos se tornam permissivos, fechando os olhos para os riscos em troca do apelo financeiro e é justamente aí que o perigo se multiplica, Mas quando a inocência vira moeda, alguns não se importam em vender, por que nessa nova era moderna o dinheiro passou a valer mais do que a dignidade, inclusive a dignidade e infância dos próprios filhos.

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