
O Piauí educa. O Piauí forma. Mas o Piauí não retém. Essa é a dura verdade estampada nos dados e nas despedidas. Ano após ano, centenas de jovens deixam o estado com diplomas na mão e o coração partido, em busca de algo que aqui parece não existir: oportunidade.
Segundo o IBGE, o Piauí é um dos estados que mais têm perdido população jovem para outros centros do país. Um processo silencioso de despopularizarão, que esvazia bairros, sonhos e possibilidades futuras. E o que é mais doloroso: não é por falta de talento, nem de investimento em educação. É por falta de perspectiva.
O estado coleciona bons índices educacionais nos últimos anos. O IDEB das escolas públicas piauienses, por exemplo, figura entre os melhores do Nordeste. Universidades como a UFPI e a UESPI formam cabeças brilhantes em áreas como engenharia, saúde e tecnologia. Mas o que acontece depois do diploma?
A resposta é clara: eles vão embora.
A maioria parte para São Paulo, Brasília, Ceará ou Paraná. Não por vontade, mas por necessidade. Falta um mercado que absorva os profissionais qualificados, falta inovação, falta investimento em ciência e tecnologia, falta incentivo ao empreendedorismo, falta estrutura para quem quer construir um futuro no próprio chão onde nasceu. No Piauí, o que sobra é calor e promessa mas o que falta é emprego, pesquisa e valorização profissional.
E não se trata apenas de números econômicos. Trata-se de um empobrecimento humano, social e afetivo. Quando um jovem talentoso vai embora, não é só um CPF que deixa o estado é um futuro possível, uma ideia, um agente de mudança. O Piauí, assim como outros estados do interior do Brasil, está formando uma geração que se vê obrigada a partir para sobreviver ou crescer. Isso tem um custo.
Enquanto isso, os que ficam muitas vezes se sentem condenados à estagnação. Os empregos de qualidade são escassos, os salários são baixos, a indústria é tímida, e as oportunidades se concentram em setores que não dialogam com as formações mais modernas. A juventude quer mais e o Piauí ainda não conseguiu acompanhar essa velocidade.
É preciso romper esse ciclo. O estado que investe em educação não pode ser o mesmo que abandona seus formandos ao acaso. O desenvolvimento precisa ser sustentável, e isso passa por políticas públicas que incentivem a retenção de talentos, criem ecossistemas de inovação, atraiam empresas e fortaleçam a economia local.
A pergunta que o Piauí precisa se fazer urgentemente é: “De que adianta formar o futuro, se não somos capazes de mantê-lo aqui?”
Até lá, seguimos vendo nossos jovens indo embora com a mala cheia de esperança e um pedaço do Piauí dentro de si na expectativa de um retorno que, muitas vezes, nunca acontece. Inclusive essa colunista que vos fala, piauiense, nascida e criada no Piauí, escritora e redatora, hoje reside na Bahia e quem sabe um dia o Piauí abra as portas da oportunidade para mim e para muitos outros jovens que se foram em buscas de grandes oportunidades.
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