
Atarantado com as revelações sobre as patifarias de Moraes, o STF tem duas opções: o caminho da razão ou a trilha do penhasco - Texto de Cristyan Costa e Augusto Nunes - Revista Oeste
Há sete anos, Alexandre de Moraes tem feito o diabo para tornar-se a figura mais temida do Supremo Tribunal Federal (STF). Amparado no Inquérito das Fake News, com o apoio militante da bancada majoritária liderada por Gilmar Mendes, o ministro institucionalizou o estilo prende-e-arrebenta na cruzada para consolidar uma abjeção: a democracia à brasileira, codinome da ditadura do Judiciário. Até este começo de setembro, imaginava-se que Moraes agia assim por motivos políticos: faltava pouco para tornar-se oficialmente gerente-geral do país. Nesta semana, descobriu-se que era investimento.
Moraes fez o que fez por dinheiro, informou a catarata de provas, evidências e indícios exposta ao país pelo ministro André Mendonça. Um dos dois integrantes da Corte indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, é ele o relator do inquérito que apura bandalheiras que, entre outras relações promíscuas, vinculam o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro que, a pretexto de preservar o Estado de Direito, mandou às favas a Constituição, os códigos legais, as fronteiras que separam os Três Poderes, a sensatez, o equilíbrio e a imparcialidade. Parecia um caso clínico. Era cobiça.
No começo da manhã da terça-feira, 1º de setembro, estavam reunidos na sede do STF juristas brasileiros, italianos e espanhóis do Brasil, da Itália e da Espanha, convidados para discutir, durante três dias, os impactos da inteligência artificial, a independência dos tribunais e supostas “ameaças à democracia” no mundo inteiro. A serenidade das tertúlias foi repentinamente quebrada por notícias, transmitidas por WhatsApp, dando conta do vazamento de um relatório sigiloso da Polícia Federal (PF).
As safadezas armazenadas num dos celulares usados pelo dono do falecido Banco Master resultaram num documento com mais de 200 páginas, preenchidas com mensagens, contratos multimilionários e pedidos de ajuda. Somadas, imediatamente ampliaram as dimensões da maior crise da história do STF. (...)
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