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Estado pobre, show milionário: Piauí paga R$ 1,8 mi por Alok enquanto o MP silencia

Quando Cocal contratou o mesmo DJ pelo mesmo valor, a Justiça cancelou o evento a pedido do MP. Desta vez, o contratante é o Governo do Estado e o MP se cala

24/04/2026 às 16h10 Atualizada em 25/04/2026 às 11h14
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem gerada por inteligência artificial
Imagem gerada por inteligência artificial

Neste sábado (25), o som grave e os lasers do DJ Alok vão ecoar na Arena Carhoo, em Teresina. A festa, bancada com R$ 1,8 milhão dos cofres públicos estaduais sem licitação, terá dois ambientes distintos: a "geral" para a população e um espaço VIP pago, com bebida à vontade, privatizando o lucro em cima de um palco financiado por impostos.

A contradição, porém, vai muito além do camarote open bar. Ela escancara uma perigosa seletividade judicial e moral. Em agosto de 2025, a Justiça do Piauí, atendendo a um pedido firme do Ministério Público Estadual (MPPI), mandou cancelar a apresentação do mesmo DJ Alok na cidade de Cocal. O motivo? A Prefeitura havia decretado calamidade financeira e os gastos ultrapassariam os R$ 3 milhões.

Agora, o Governo do Estado, afundado em dívidas bilionárias, patrocina o mesmo artista. E o Ministério Público piauiense? Silêncio absoluto.

Dois pesos, duas medidas e R$ 1,8 milhão na conta errada

A operação estadual é confirmada em Diário Oficial. O contrato nº 084/2026, firmado pela Secretaria de Turismo, usou a modalidade de inexigibilidade de licitação, embora o evento conte com venda de ingressos e espaços comerciais privados.

Chama atenção que, no sistema do Tribunal de Contas do Estado, a empresa contratada aparece com nomes distintos: Kalor Ltda e Caju Produções, sob o mesmo CNPJ. A justificativa oficial é genérica: "promoção do turismo".

É exatamente contra esse tipo de uso da máquina pública que o próprio MPPI foi implacável em Cocal. Na decisão que derrubou o show no interior, o juiz Anderson Brito da Mata foi cirúrgico ao classificar como inaceitável uma cidade quebrada gastar milhões com cachês. O promotor de Justiça que atuou no caso se baseou no estado de emergência para barrar a festa.

Ora, qual a diferença para a realidade do Tesouro Estadual?

Governador Rafael Fonteles ao lado do DJ Alok - Foto: Reprodução

A dívida que financia o camarote VIP

O governador Rafael Fonteles (PT) comemorou o contrato milionário do show ao mesmo tempo em que articula um megapacote de endividamento. Em 2025, o estado já pagou R$ 209 milhões por mês em parcelas de empréstimos, dinheiro que sai dos impostos do povo.

Em abril de 2025, o governador enviou à Assembleia um novo pedido de R$ 5,8 bilhões em empréstimo com garantia da União. O histórico é grave. Somam-se dezenas de operações de crédito, dívidas que atravessarão décadas, enforcando a capacidade de investimento do estado em saúde e infraestrutura. Enquanto isso, tragédias como a de Barras, onde uma família morreu soterrada em uma casa precária, e a crise no Liceu Piauiense seguem sem a devida resposta do governo.

O sentimento das ruas, captado por influenciadores e cidadãos na internet, além de nós jornalistas, não é contra a cultura, mas contra a montanha de dinheiro público jogada em um evento isolado. O problema não é o show, é a prioridade.

O silêncio eloquente

O Gazeta Hora1 questiona: por que o Ministério Público, tão célere em barrar os festejos de uma prefeitura quebrada, não usa a mesma régua para o Palácio de Karnak? Se havia "calamidade financeira" e "risco de dano ao erário" em Cocal para um show de R$ 1,8 milhão, por que não há em um estado que deve bilhões?

A resposta pode estar na zona de conforto política ou na complexidade de se enfrentar o chefe do Executivo estadual. O fato é que, enquanto o Ministério Público se cala, o governador Rafael pega o dinheiro do contribuinte e entrega de bandeja para a iniciativa privada. É dinheiro que deveria estar tapando buracos, reformando escolas, socorrendo quem está na miséria. Mas não. Está indo para o bolso de produtora de evento, com camarote VIP e open bar.

Neste sábado, a batida vai tocar. Mas o som que vai martelar na cabeça do povo é outro: o barulho surdo da dívida crescendo, o silêncio de quem deveria fiscalizar, ee a certeza amarga de que, para quem governa, R$ 1,8 milhão para um DJ é investimento, e saúde, educação e saneamento são sempre "para o próximo ano".

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Sobre Wagner Albuquerque é um jornalista multifacetado, com uma carreira marcada por passagens expressivas pela Band, onde atuou como editor, produtor, repórter e apresentador. Ao longo de sua trajetória, também esteve à frente da Direção de Jornalismo em diversos portais de destaque, sempre pautado pela ética e pela busca da informação de qualidade. Atualmente, é apresentador da TV Lupa1 e jornalista no portal Gazeta Hora1, onde se destaca pela credibilidade, visão analítica e compromisso com a relevância dos fatos que impactam o dia a dia do público.
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