
Há dez anos, o Senado Federal do Brasil protagonizava uma das sessões mais longas de sua história ao aprovar a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Após mais de 20 horas de debates, o placar de 55 votos a favor e 22 contra determinou o afastamento da chefe do Executivo, levando o vice Michel Temer a assumir interinamente a Presidência.
O processo teve como base acusações de crime de responsabilidade fiscal, relacionadas às chamadas pedaladas fiscais e à edição de decretos orçamentários. A decisão dividiu opiniões dentro e fora do Congresso, com defensores apontando a legalidade do rito e críticos classificando o episódio como uma ruptura institucional. O então advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, foi uma das vozes que contestaram o processo.
O impeachment ocorreu em um contexto de forte instabilidade política e econômica. Protestos populares, queda de popularidade do governo e tensões entre Executivo e Legislativo marcaram os anos anteriores à votação. A atuação de figuras como Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, também foi decisiva para o avanço do processo no Congresso.
Relembrar o episódio é revisitar um momento que redefiniu os rumos da política nacional. Independentemente das interpretações, o impeachment de 2016 permanece como um marco institucional relevante, frequentemente citado em debates sobre governabilidade, responsabilidade fiscal e o equilíbrio entre os Poderes no Brasil.
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