
"Na realidade, ninguém é normal. Só pensa que é normal aquele que nunca teve coragem de mapear sua mente. Só pensa que é normal quem esconde seus conflitos debaixo do tapete do status, da crítica, do orgulho."
— *Augusto Cury, Felicidade Roubada*
Procurei a origem da famosa expressão portuguesa "remédio para doido é um doido e meio". Não achei. Lembrei da orientação que, quando um paciente com esquizofrenia surta, você tem que fingir que está no mundo dele.
Toda loucura começa pequena. É um desequilíbrio aqui, uma perturbação ali. É um medo que vira gigante, uma fobia que se descontrola. Pronto. Seu desconforto vira uma loucura adolescente que, se não tratada, vira um adulto em declínio.
A cultura da competitividade excessiva faz o aparelho biopsíquico descompensar. Nunca me esqueço da tia Helena dizendo que o capitalismo está se transformando em algo que ainda não se sabe, pois está ficando insustentável. Penso que o caminho seria a humanização nas relações de trabalho. Extraordinário é ter paz e saúde mental. Não existe perfeição, só aperfeiçoamento. O problema é que o sistema educacional muitas vezes não ajuda.
Ainda bem que hoje inteligência emocional é ensinada. Se amar no sucesso ou fracasso, se perdoar, saber rir de si mesmo, eliminar a culpa (pois esta atrai punição inconsciente) e aceitar o erro como um degrau na evolução já são consideradas habilidades essenciais frente a uma geração ultravigiada, ultracomparada e ultraprotegida. Eles precisam saber que a única ostentação imprescindível é a lucidez e a paz de espírito.
Se de perto ninguém é normal e o homem 100% sadio só existe nos livros, o remédio para o "doido" é o amor, compreensão, empatia, escuta qualificada e palavras adequadas. Um remédio caro e raro, infelizmente. Um remédio sem bula, mas com voz e rosto...
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