
A esquerda vive repetindo o discurso do respeito às mulheres, do combate à violência e da defesa incondicional dos direitos femininos. Mas, vez por outra, a prática parece caminhar em sentido contrário. E foi justamente isso que chamou a atenção em Natal.
Imagine a cena. Um evento organizado para discutir o fim da violência contra a mulher. No palco, autoridades, discursos inflamados e palavras de ordem em defesa da participação feminina na política. Nos bastidores, porém, uma deputada estadual acaba precisando de atendimento médico após uma confusão envolvendo um segurança durante a passagem da primeira-dama Janja da Silva.
A parlamentar é Divaneide Basílio, do próprio PT. Segundo informações divulgadas pela imprensa, ela teria sido atingida por um integrante da equipe de segurança durante o evento "Mulheres do Time de Lula pelo Fim da Violência", realizado na Arena das Dunas, em Natal.
Após o incidente, Divaneide recebeu atendimento da equipe médica da Arena e, posteriormente, foi encaminhada ao Hospital do Coração para avaliação.
Até o momento, a deputada ainda não detalhou publicamente o ocorrido, e também não há informação sobre registro de boletim de ocorrência. O caso, portanto, ainda depende de esclarecimentos oficiais.
O episódio, entretanto, provocou uma situação no mínimo contraditória. Afinal, um evento criado para simbolizar o enfrentamento à violência contra a mulher terminou marcado justamente por uma denúncia de agressão envolvendo uma mulher e um integrante da equipe de segurança.
Nem mesmo o PT deixou o episódio passar em branco. Em nota, o Setorial de Direitos Humanos do partido manifestou solidariedade à deputada e afirmou ser "inadmissível que, em um espaço voltado ao fortalecimento da participação política das mulheres, uma deputada seja tratada com truculência pela segurança".
A nota, porém, não identifica formalmente a qual equipe pertenceria o segurança citado, o que reforça a necessidade de apuração completa dos fatos.
Independentemente de quem seja o responsável, o episódio expõe um contraste difícil de ignorar. Quem levanta a bandeira do combate à violência contra a mulher precisa demonstrar esse compromisso também na prática, especialmente em eventos organizados exatamente com esse propósito.
No fim das contas, a sociedade espera coerência. O discurso tem seu valor, mas é a conduta que convence. Quando palavras e ações caminham em direções diferentes, o desgaste político acaba sendo inevitável.
Agora resta aguardar a conclusão das apurações e os esclarecimentos oficiais sobre o que realmente aconteceu nos bastidores daquele evento que deveria simbolizar, acima de tudo, respeito, acolhimento e proteção às mulheres.
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