
Passadas as eleições, uma pergunta precisa ser respondida: quem vai comandar a oposição no Piauí? O governador Rafael Fonteles saiu das urnas fortalecido, o PT mantém ampla base política e a oposição enfrenta o desafio de se reorganizar depois de uma derrota expressiva. O tempo de discutir culpados acabou. É hora de definir estratégia, liderança e próximos passos.
A história política recente do Estado mostra que o poder não se mantém apenas pela vitória nas urnas. Também se consolida quando os adversários se fragmentam, perdem referências e deixam de construir alternativas. Foi assim que antigas lideranças oposicionistas perderam protagonismo, enquanto o governo ampliou sua influência sobre a Assembleia Legislativa e os municípios.
Agora, o risco é repetir esse roteiro. Com apenas três deputados estaduais eleitos pela oposição, o campo contrário ao governo terá de buscar articulação política fora da Alepi, construir pautas próprias e fiscalizar a gestão estadual. Sem isso, corre o risco de se tornar apenas uma presença residual no debate público.
Mas quem pode assumir essa tarefa? João Vicente Claudino, Tiago Junqueira, Ciro Nogueira, Sílvio Mendes, Jeová Alencar e Joel Rodrigues estão entre os nomes que podem participar dessa discussão. O desafio não é promover uma disputa antecipada por protagonismo, mas construir uma mesa de diálogo capaz de definir objetivos, responsabilidades e uma estratégia comum.
O primeiro passo é organizar um núcleo permanente de articulação, com reuniões regulares, agenda de fiscalização do governo e propostas para os principais problemas do Piauí. O segundo é fortalecer a presença nos municípios, aproximando lideranças, vereadores, prefeitos e representantes da sociedade. O terceiro é definir como essa unidade será construída sem depender exclusivamente de interesses eleitorais imediatos.
E há uma data que precisa estar no horizonte: 2028, quando Teresina voltará às urnas para escolher seu prefeito. Sílvio Mendes e Jeová Alencar representam hoje a administração municipal, mas o cenário futuro dependerá da avaliação dos eleitores, da gestão da capital e da capacidade de articulação dos diferentes grupos políticos.
O PT também terá seus movimentos e poderá trabalhar para ampliar sua presença na capital. Por isso, deixar a discussão para a véspera da eleição seria um erro estratégico. A construção de alternativas exige tempo, diálogo e propostas capazes de responder às demandas concretas da população.
Se dormir no ponto, a oposição corre o risco de perder o Palácio da Cidade.
A oposição piauiense precisa compreender que unidade não significa unanimidade, nem exige que todos abram mão de suas identidades. Significa reconhecer objetivos comuns, estabelecer compromissos e evitar que disputas individuais inviabilizem qualquer projeto coletivo.
A chama não se mantém acesa com discursos, mas com organização, presença e estratégia. Se as lideranças oposicionistas pretendem continuar relevantes no Piauí, a hora de agir é agora.
A eleição de 2026 terminou. A preparação para 2028 já começou.
Não custa lembrar: o PT não faz sombra, muito menos dá camisa para ninguém. Na política, cada grupo defende seus próprios interesses. Por isso, a unidade e a organização da oposição são cruciais para a sobrevivência política de quem se contrapõe ao Palácio de Karnak. Negligenciar este momento é correr o risco de assinar o próprio atestado de óbito político.
E o preço poderá ser cobrado de todos, sem exceção. Fica o alerta!
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