
Uma obra para implantação de um terminal rodoferroviário em Davinópolis, no Maranhão, acabou revelando um dos maiores achados paleontológicos já registrados no Estado. Durante o acompanhamento arqueológico do empreendimento, pesquisadores encontraram fósseis de uma nova espécie de dinossauro, batizada de Dasosaurus tocantinensis, que teria alcançado aproximadamente 20 metros de comprimento.
Os primeiros vestígios chegaram a ser interpretados como possíveis restos de grandes mamíferos pré-históricos. Novas análises, porém, mudaram completamente a interpretação. Enterrados a cerca de oito metros de profundidade, os fósseis incluem vértebras da cauda, costelas, ossos dos braços, pernas e pés, além de um impressionante fêmur com aproximadamente 1,5 metro.
O animal pertence ao grupo dos saurópodes, dinossauros herbívoros de enormes dimensões, conhecidos pelo pescoço comprido e pelo corpo gigantesco. Com seus 20 metros, o Dasosaurus tocantinensis supera o Amazonsaurus maranhensis, que tinha cerca de 10 metros e era considerado um dos maiores dinossauros conhecidos no Maranhão.
A descoberta também abre uma janela para a história da movimentação desses animais pelo antigo planeta. Os pesquisadores identificaram semelhanças evolutivas entre a nova espécie e o Garumbatitan morellensis, encontrado na Espanha. A hipótese é que essa linhagem tenha surgido na Europa e chegado à América do Sul por uma rota terrestre que passava pelo norte da África, entre aproximadamente 140 milhões e 120 milhões de anos atrás.
O estudo, publicado no Journal of Systematic Palaeontology, analisou a estrutura dos fósseis, características microscópicas dos ossos e as relações evolutivas do animal. A análise revelou uma combinação de características de saurópodes mais antigos com outras que aparecem posteriormente nos titanossauros, ajudando a compreender como esses gigantes cresceram e modificaram seus esqueletos ao longo da evolução.
E a história pode estar apenas começando. Os pesquisadores negociam novas escavações no local da obra porque acreditam que outras partes do mesmo esqueleto podem continuar enterradas. Se novos fósseis forem encontrados, o Maranhão poderá ampliar ainda mais seu papel na reconstrução da história dos gigantes que dominaram a América do Sul há mais de 100 milhões de anos.
Um terminal rodoferroviário revelou um gigante do passado. E o que ainda está enterrado pode ser maior do que aquilo que já apareceu.
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