
A Guiana decidiu apostar na agricultura como novo motor da economia, mesmo após enriquecer com o petróleo. O governo passou a oferecer terras sem custo para produtores, com a única condição de que sejam cultivadas. A estratégia mira especialmente agricultores brasileiros, reconhecidos pela experiência em larga escala na produção de grãos como soja e milho.
O potencial é grande. São cerca de 300 mil hectares disponíveis em áreas de savana, semelhantes ao Cerrado brasileiro, sem impacto direto sobre as florestas, que cobrem a maior parte do território. Alguns produtores já começaram a apostar no país e relatam facilidade para trabalhar, principalmente pela menor burocracia ambiental em comparação com o Brasil.
Apesar das vantagens, os desafios ainda pesam. A barreira do idioma, a falta de mapeamento detalhado das terras e a ausência de estudos climáticos dificultam a entrada de novos investidores. Além disso, a infraestrutura ainda está em desenvolvimento, com estradas incompletas e limitações logísticas para escoar a produção, o que gera dúvidas sobre a viabilidade no curto prazo.
O governo guianense mantém o discurso otimista e quer reduzir a dependência de importações e se tornar exportador para o Caribe. Para isso, aposta na parceria com brasileiros e até oferece crédito barato e incentivos fiscais. Ainda assim, especialistas alertam que sem indústria para processar grãos e sem compradores definidos, o crescimento pode ser mais lento do que o esperado.
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