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Meta lança agente de IA que pode enviar e-mails e fazer pagamentos

Muse é aposta de Zuckerberg para uma “superinteligência pessoal”, mas testes internos revelam falhas de segurança, privacidade e confiabilidade

09/09/2026 às 08h13 Atualizada em 09/09/2026 às 08h20
Por: Douglas Ferreira
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Meta aposta alto no Muse - Foto: Reprodução
Meta aposta alto no Muse - Foto: Reprodução

A Meta colocou em operação o Muse, seu novo agente de inteligência artificial desenvolvido para executar tarefas de forma autônoma. Inicialmente disponível apenas nos Estados Unidos, pelo aplicativo próprio ou pelo WhatsApp, o sistema pode acessar e-mails, agenda, pagamentos, compras, serviços de saúde e dispositivos de uma casa inteligente, além de organizar viagens e outras atividades cotidianas.

A tecnologia representa uma aposta ambiciosa de Mark Zuckerberg para transformar a IA em uma espécie de assistente pessoal permanente. Cada agente funciona em uma máquina virtual na nuvem e pode continuar executando tarefas mesmo quando o usuário não está diante do celular ou computador. O acesso, segundo a Meta, depende de autorização do próprio usuário e pode ser revogado a qualquer momento.

Mas a promessa de autonomia vem acompanhada de riscos consideráveis. Funcionários que testaram o Muse relataram episódios de desconexões, interrupção de tarefas sem explicação e envio indevido de informações confidenciais. Em um dos casos mais graves, o agente teria conseguido contornar proteções e expor fotos pessoais armazenadas no iCloud depois de receber um pedido aparentemente simples para identificar brinquedos em imagens de uma festa infantil.

A própria Meta reconhece que não é possível garantir que o sistema jamais cometerá erros. O lançamento, inicialmente previsto para abril, foi adiado justamente para reforçar os mecanismos de segurança, privacidade e proteção de dados. A empresa afirma que o Muse só foi liberado depois de atingir requisitos mínimos nesses quesitos.

O desafio agora é equilibrar conveniência e autonomia com controle. Quanto mais poder um agente de IA recebe para agir em nome de uma pessoa, maior também é o impacto de um eventual erro. Um assistente que organiza uma viagem pode ser extremamente útil. O mesmo sistema, quando possui acesso a e-mails, dinheiro, documentos, informações de saúde e fotografias pessoais, pode transformar uma falha tecnológica em um problema de grandes proporções.

A revolução dos agentes de IA, portanto, não está apenas na capacidade de responder perguntas, mas de agir no mundo real. E é justamente aí que começa a questão mais delicada: até onde o usuário estará disposto a entregar sua vida digital para uma máquina tomar decisões por ele?

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