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Tecnologia DEEP ORANGE 17

Estudantes criam carro elétrico que produz mais energia do que consome

Protótipo desenvolvido em parceria com a BMW combina painéis solares, baixo peso e aerodinâmica para ampliar a autonomia em deslocamentos urbanos

13/08/2026 às 14h06
Por: Douglas Ferreira
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Esse é o primeiro, protótipo Deep Orange 17 - Foto: Divulgação/Clemson University
Esse é o primeiro, protótipo Deep Orange 17 - Foto: Divulgação/Clemson University

Estudantes de pós-graduação em engenharia automotiva da Universidade Clemson, nos Estados Unidos, desenvolveram o Deep Orange 17, um protótipo elétrico que foi projetado para gerar mais energia do que consome em determinados trajetos urbanos.

Batizado de Luminetta, o veículo foi desenvolvido em parceria com a área de pesquisa e desenvolvimento da BMW e utiliza painéis solares integrados à carroceria para produzir eletricidade. A proposta é aproveitar não apenas o deslocamento, mas também o longo período em que os automóveis permanecem estacionados durante o dia.

Energia solar na própria carroceria

O cupê de duas portas possui mais de 1.700 células fotovoltaicas distribuídas pela carroceria. A energia captada é direcionada ao sistema de armazenamento do veículo, reduzindo a necessidade de recarga convencional.

Para avaliar o potencial da tecnologia em diferentes condições climáticas, os estudantes realizaram simulações em quatro cidades: Greenville, nos Estados Unidos, Frankfurt, na Alemanha, Madri, na Espanha, e Mumbai, na Índia.

Em um cenário de deslocamento diário de aproximadamente 20 quilômetros, o protótipo apresentou geração solar suficiente para proporcionar, em média, 50 quilômetros adicionais de autonomia por dia nas localidades analisadas.

Peso é um dos principais diferenciais

Para conseguir produzir um saldo energético positivo, o projeto apostou fortemente na redução do peso e na eficiência aerodinâmica.

O Deep Orange 17 pesa apenas 550 quilos, aproximadamente um quarto do peso de veículos elétricos de produção de porte semelhante.

O chassi utiliza uma combinação de aço de alta resistência, alumínio, fibra de carbono e componentes metálicos produzidos por impressão 3D. A estratégia permite reduzir a massa sem abrir mão da resistência estrutural necessária ao funcionamento do veículo.

Design inspirado na natureza

A aerodinâmica também recebeu atenção especial. As linhas externas do protótipo foram inspiradas no peixe-cofre, ou boxfish, cuja anatomia serviu de referência para criar uma carroceria com menor resistência ao ar e, ao mesmo tempo, bom aproveitamento do espaço interno.

O veículo conta ainda com frenagem regenerativa, vetorização inteligente de torque e gerenciamento eletrônico do trem de força, tecnologias que contribuem para aumentar a eficiência energética.

No interior, o painel possui sistema multimídia com telemetria em tempo real, além de integração com Apple CarPlay e Android Auto.

Projeto desenvolvido por estudantes

O desenvolvimento do Deep Orange 17 envolveu 16 estudantes de mestrado durante dois anos. O trabalho passou por diferentes etapas, incluindo pesquisa de mercado, definição do conceito, engenharia, construção, fabricação e testes de validação.

Mais do que criar um novo modelo de automóvel, o projeto funciona como um laboratório para testar soluções que poderão influenciar o futuro da mobilidade elétrica.

Protótipo continuará em testes

Após a conclusão do projeto, o Deep Orange 17 permanecerá no Centro Internacional de Pesquisa Automotiva da Universidade Clemson, na Carolina do Sul, onde poderá ser utilizado como plataforma para o desenvolvimento e avaliação de novas tecnologias de mobilidade sustentável.

A expectativa é que o protótipo seja apresentado na Consumer Electronics Show, a CES 2027, em Las Vegas, um dos principais eventos mundiais de tecnologia.

Uma nova ideia de carro elétrico

O Deep Orange 17 mostra que aumentar a autonomia de um veículo elétrico não depende apenas de baterias maiores. A proposta combina geração de energia solar, baixo peso, aerodinâmica, recuperação de energia e gerenciamento eletrônico para reduzir o consumo e ampliar a eficiência.

O projeto ainda é um protótipo acadêmico e não representa um veículo pronto para produção em larga escala. Mas a experiência demonstra como novas soluções de engenharia podem transformar a própria carroceria do automóvel em uma fonte complementar de energia.

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