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Fugindo do “inferno”: por que milhares de cubanos agora escolhem o Brasil para recomeçar a vida?

Relatos de fome, medo, exploração por coiotes e falta de perspectivas transformam o Brasil em um dos principais destinos de quem decide deixar Cuba

27/06/2026 às 10h43 Atualizada em 27/06/2026 às 11h09
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações G1
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Cubanos enfrentam fome, medo e incertezas para fugir do socialismo cubano - Foto: Reprodução
Cubanos enfrentam fome, medo e incertezas para fugir do socialismo cubano - Foto: Reprodução

O que você faria para fugir, literalmente, do "inferno" na Terra? Pergunta difícil de responder. Mas milhares de cubanos parecem já ter encontrado a resposta. Eles estão dispostos a vender tudo o que possuem, enfrentar fome, atravessar rios durante a madrugada, caminhar quilômetros no meio do mato e colocar a própria vida nas mãos de coiotes para escapar do regime regime socialista implantado por Fidel Castro e seu bando há mais de seis décadas na ilha. Muitos dos que conseguem sair descrevem Cuba como uma enorme prisão a céu aberto, onde falta liberdade, comida, combustível, energia elétrica e, principalmente, esperança.

E agora, com as portas dos Estados Unidos cada vez mais fechadas, o destino de muitos deles passou a ser o Brasil.

A rota começa em Havana, segue de avião até a Guiana e termina na fronteira entre Lethem e Bonfim, em Roraima. É justamente nesse trecho que entram em cena os chamados coiotes, criminosos especializados em explorar o desespero de quem busca uma vida melhor.

Segundo os próprios migrantes, os coiotes espalham informações falsas para convencer os cubanos de que entrar legalmente no Brasil é impossível. Dizem que eles serão presos ou deportados caso procurem diretamente a Polícia Federal. Com medo e sem conhecer a legislação brasileira, muitos acabam pagando verdadeiras fortunas por uma travessia clandestina.

A maioria é presa fácil para os criminosos.

Foi exatamente isso que aconteceu com Evelio Vázquez, de 45 anos. Hoje ele ajuda outros cubanos que chegam a Boa Vista, mas nunca esqueceu o drama vivido durante a viagem. Ele afirma que essa foi "a pior experiência da sua vida". Viajando com a esposa e três filhos, sendo um deles epiléptico e dois autistas, viu a própria família ser separada pelos coiotes durante o trajeto.

Outro cubano, Ávila Basulto, de apenas 28 anos, contou que precisou pagar cerca de US$ 300 apenas para percorrer um pequeno trecho da fronteira. Depois de cruzar o Rio Tacutu durante a madrugada, ele e outros migrantes foram abandonados pelos motoristas e obrigados a caminhar entre 15 e 20 quilômetros até conseguirem socorro.

Thomas Joel Franco relata que passou cinco dias praticamente sem comer e sem dormir. Sobreviveu bebendo pouca água e comendo bolachas enquanto atravessava rios, lama e longos trechos de mata fechada.

Quando esses migrantes são encontrados pela Polícia Rodoviária Federal, muitos apresentam sinais de desnutrição, desidratação, doenças respiratórias e profundo abalo psicológico.

Todos os relatos colhidos têm um ponto em comum: a dificuldade de viver em Cuba. O médico Rodolfo Canet conta que o salário que recebia era equivalente ao preço de apenas um litro de gasolina. Hoje vive em Curitiba e trabalha como repositor de mercadorias.

Para financiar a fuga, muitas famílias vendem tudo o que construíram durante décadas. Os pais de Evelio, por exemplo, venderam a casa da família por apenas uma pequena fração do valor real para custear a viagem do filho.

Os valores cobrados pelos coiotes impressionam. Existem pacotes que chegam a custar US$ 10 mil, incluindo passagens, transporte clandestino e deslocamento até cidades brasileiras como Boa Vista, Curitiba e Florianópolis.

O que muitos só descobrem depois de enfrentar toda essa via-crúcis é que poderiam solicitar refúgio gratuitamente às autoridades brasileiras, sem precisar recorrer às organizações criminosas que lucram com a desinformação.

Enquanto isso, o número de cubanos pedindo refúgio no Brasil continua crescendo. Mais do que uma mudança de país, muitos afirmam estar buscando algo que consideram básico: liberdade para reconstruir a própria vida, trabalhar, sustentar a família e viver com dignidade.

É o capitalismo socorrendo os refugiados do socialismo.

Independentemente das diferentes visões políticas sobre Cuba, uma realidade é difícil de ignorar: quando milhares de pessoas vendem tudo o que possuem, enfrentam fome, atravessam fronteiras clandestinas e colocam a própria vida em risco para deixar um país, isso revela o tamanho do desespero de quem acredita que qualquer futuro, por mais incerto que seja, ainda pode ser melhor do que permanecer onde está.

E viva a liberdade!

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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