
Sabe aquela expressão bem nordestina que diz que "quanto mais mexe, mais fede"?
Pois é exatamente essa a sensação que vai tomando conta dos corredores de Brasília quando o assunto é o Caso Master.
Quanto mais a Polícia Federal aprofunda as investigações sobre o esquema envolvendo o Banco Master, mais o senador Jaques Wagner (PT/BA), líder do governo Lula no Senado, vai se complicando. E não é pouca coisa, não. É pinico cheio.
A fedentina já ultrapassou as portas do gabinete do senador e começa a atingir o entorno do governo Lula 3, setores do PT e lideranças históricas da legenda, tanto na Bahia quanto em Brasília. O mal cheiro está impestando corredores e gabinetes.
E, pelo andar da carruagem, a conta pode acabar chegando pesada para o senador baiano. Bem maior que a dinheirama encontra pela PF em endereço de Wagner.
Tanto que até José Genoino, aquele que apareceu nas planilhas da Odebrecht na Operação Lava Jato, e que já tirou cadeia, resolveu entrar em campo. Numa tentativa de conter o estrago, o ex-presidente nacional do PT tratou de separar as coisas e mandou um recado público:
Jaques Wagner, segundo ele, "não é o PT, não é o governo e não é Lula".
Como assim, cara pálida?
Estamos falando justamente do líder do governo Lula no Senado Federal. O homem que representa o Palácio do Planalto na Câmara Alta da República. Não é exatamente um parlamentar qualquer.
Aliás, o próprio Genoino sugeriu que Wagner deixasse a liderança para cuidar da própria defesa.
Só que o buraco é mais embaixo.
E Genoino sabe disso.
O PT sabe disso.
Lula sabe disso.
Todo mundo sabe.
Porque Jaques Wagner não é apenas mais um senador petista.
Jaques Wagner é Jaques Wagner.
É um dos aliados mais próximos de Lula há mais de quatro décadas. Um dos homens de maior confiança do presidente. Um dos poucos que frequentam o núcleo duro do poder desde os tempos das primeiras campanhas petistas.
Por isso a situação é tão delicada.
Segundo relatório enviado pela Polícia Federal ao ministro do STF André Mendonça, os investigadores apontam indícios de que Wagner teria "exercido o mandato parlamentar de forma alinhada aos interesses econômicos do Banco Master".
E mais.
Segundo a PF, não se trata de um episódio isolado, mas de um "padrão contínuo, sistemático e documentado de engajamento pessoal" em favor dos interesses do grupo liderado por Daniel Vorcaro.
Os investigadores sustentam que essa atuação teria ocorrido principalmente entre 2022 e 2025, justamente no período de expansão acelerada do conglomerado financeiro. Período em que o esquema se tornou a maior "engolideira" de dinheiro público e privado da história da República.
Os fundos de pensão que o digam.
A Polícia Federal também cita reuniões envolvendo temas de interesse direto do banco, incluindo discussões relacionadas ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida que beneficiaria instituições como o Master. Medida que visava abocanhar o dinheiro de mais incautos.
Wagner nega qualquer irregularidade. Eles sempre negam. Negam mais do que marido pelo no flagra traindo a esposa: "não é nada do que você está pensando".
Mas uma das mensagens encontradas pelos investigadores chamou atenção. Nela, o senador pergunta a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro:
"Precisava saber como estão as coisas do banco".
Uma frase simples.
Mas que, dentro do contexto investigado, ganhou enorme repercussão.
Como se não bastasse, surgiram questionamentos sobre recursos em espécie, cerca de U$$ 50 mil, R$ 250 mil pela cotação de hoje, encontrados em operação policial, valores que, segundo críticos do senador, seriam incompatíveis com os rendimentos oficialmente declarados.
O resultado é que a fritura começou.
E já há gente no Planalto discutindo quem poderia assumir a liderança do governo caso a situação se torne insustentável. Entre os nomes ventilados aparecem Randolfe Rodrigues, Rogério Carvalho e Camilo Santana. Todos com seus próprios desafios políticos.
Mas a verdade é que ninguém parece muito animado para assumir o posto.
Até porque herdar uma liderança em meio a uma crise desse tamanho não é exatamente ganhar na loteria. Além do que vira vitrine. E, em ano de eleição, a vitrine que se busca é outra.
Enquanto isso, Jaques Wagner demonstra pouca disposição para deixar o cargo. Do tipo: "daqui não saio, daqui ninguém me tira".
Muito pelo contrário.
Já mandou seu próprio recado. Publicamente, em rede de TV, reafirmou que continua líder do governo, mantém seus projetos eleitorais e segue contando com a confiança de Lula. E mantém a candidatura à reeleição ao Senado pela Bahia.
Nos bastidores, a leitura é simples: Wagner acredita que sua longa relação com o presidente pesa mais do que a pressão momentânea.
E aí está o dilema do Planalto. Afastar Wagner seria admitir desgaste. Mantê-lo significa conviver diariamente com o avanço das investigações.
Por isso, a cada nova fase da operação, cresce a sensação de que o Caso Master deixou de ser apenas um problema policial.
Virou um problema político.
E dos grandes.
Daqueles que fazem Brasília perder o sono. E haja Rivotril.
Porque, como diria o velho ditado nordestino, "quando a coisa começa a feder, não adianta jogar perfume".
O cheiro continua lá. E já tem gente com a mão no nariz.
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