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Maria Suzete Monte Diógenes: uma vida dedicada à Justiça, ao conhecimento e ao serviço público

Magistrada, advogada, engenheira e arquiteta, Suzete Monte construiu uma trajetória marcada pela excelência profissional, pelo amor ao conhecimento e por mais de três décadas de dedicação à Justiça do Trabalho

21/06/2026 às 04h16
Por: Douglas Ferreira
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Juíza Maria Suzete Monte de Holanda Diógenes dedicou mais de três décadas ao Direito potiguar - Foto: Reprodução
Juíza Maria Suzete Monte de Holanda Diógenes dedicou mais de três décadas ao Direito potiguar - Foto: Reprodução

Entre os nomes que ajudaram a construir a história da Justiça do Trabalho no Rio Grande do Norte, poucos reúnem uma trajetória tão plural quanto a de Maria Suzete Monte de Hollanda Diógenes. Magistrada, advogada, engenheira civil e arquiteta, Suzete deixou um legado marcado pela busca permanente do conhecimento, pelo compromisso com o serviço público e pela dedicação à promoção da Justiça. Falecida aos 62 anos, tornou-se referência para colegas, advogados, servidores e familiares que acompanharam sua notável caminhada profissional e humana.

Nascida em 17 de abril de 1963, Suzete Monte pertenceu a uma geração de mulheres que abriram caminhos em profissões tradicionalmente ocupadas por homens. Desde cedo demonstrou vocação para os estudos e para a construção de uma carreira pautada pela excelência acadêmica e pelo compromisso social.

Sua primeira formação superior foi em Engenharia Civil. Em uma época em que a presença feminina ainda era reduzida nos cursos de engenharia, destacou-se pela dedicação e pela capacidade técnica. O raciocínio lógico, a disciplina e o senso de responsabilidade desenvolvidos nessa área seriam características que mais tarde marcariam sua atuação jurídica e judicial.

Mas Suzete nunca se acomodou. Movida por uma curiosidade intelectual permanente, decidiu ampliar seus horizontes profissionais e ingressou no universo do Direito. A escolha representou uma mudança de rumo que acabaria definindo sua trajetória pública. Foi no campo jurídico que encontrou a missão que abraçaria por grande parte da vida.

Ao ingressar na magistratura trabalhista, passou a integrar os quadros da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Norte. Durante aproximadamente três décadas, exerceu a função de juíza do Trabalho, atuando especialmente nas Varas de Assú e Ceará-Mirim, onde construiu sólida reputação profissional. Sua carreira foi marcada pelo equilíbrio, pela firmeza técnica e pela sensibilidade no trato das questões humanas que chegavam diariamente aos tribunais.

Colegas de profissão costumavam destacar sua postura serena, sua dedicação ao estudo e sua profunda compreensão da função social da magistratura. Em um ramo do Judiciário voltado para a solução de conflitos entre capital e trabalho, Suzete tornou-se conhecida pela busca constante da justiça equilibrada, sempre pautada pelo respeito às leis e à dignidade das pessoas.

Sua inquietação intelectual, entretanto, não se limitou à Engenharia e ao Direito. Demonstrando uma rara capacidade de reinventar-se, Suzete concluiu também o curso de Arquitetura e Urbanismo. A nova graduação evidenciava sua paixão pelo conhecimento, pela estética, pela criação e pela compreensão dos espaços humanos. Poucos profissionais conseguem reunir formações tão distintas e complementares ao longo da vida.

A família ocupava papel central em sua existência. Era casada com Gutemberg Rego Diógenes, com quem compartilhou décadas de vida conjugal. Mãe de João Victor, Dirceu e Marina, também cultivava grande dedicação aos netos, que figuravam entre suas maiores alegrias. Sua história familiar ainda se entrelaça com instituições jurídicas do Estado, já que familiares atuam tanto no TRT/RN quanto na Ordem dos Advogados do Brasil.

Após se aposentar da magistratura, Suzete demonstrou mais uma vez que o Direito não era apenas uma profissão, mas uma vocação. Retornou à advocacia e restabeleceu sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio Grande do Norte, retomando a atuação profissional com o mesmo entusiasmo e compromisso ético que marcaram sua passagem pelo Judiciário.

Ao longo da carreira, recebeu o respeito e o reconhecimento de magistrados, advogados, servidores e jurisdicionados. Embora sua trajetória tenha sido marcada mais pelo trabalho discreto do que pela busca de projeção pública, conquistou uma das mais importantes honrarias para qualquer profissional do Direito: a admiração de seus pares e o reconhecimento de sua integridade.

Sua morte ocorreu em São Paulo, onde estava em viagem ao lado do marido. Informações divulgadas à época apontaram que ela comemorava quatro décadas de casamento quando sofreu complicações de saúde. Relatos publicados pela imprensa registraram problemas hematológicos e também a suspeita de uma parada cardiorrespiratória após atendimento médico.

A notícia do falecimento provocou forte comoção no meio jurídico potiguar. O Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região, a Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte, magistrados, advogados e servidores divulgaram notas de pesar destacando sua contribuição para a Justiça do Trabalho e para a advocacia. As homenagens ressaltaram não apenas a profissional exemplar, mas também a mulher generosa, estudiosa e comprometida com os valores da cidadania.

Ao encerrar sua jornada, Maria Suzete Monte de Hollanda Diógenes deixou muito mais do que sentenças, pareceres ou processos julgados. Deixou um legado de conhecimento, dedicação e serviço ao próximo. Sua história demonstra que o verdadeiro gigantismo no Direito não se mede pelo poder exercido, mas pela capacidade de transformar vidas por meio da Justiça, da ética e do exemplo.

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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