
O aumento da renda dos brasileiros no terceiro mandato de Lula não tem se traduzido plenamente em melhora no consumo. Dados do IBGE mostram que a renda média chegou a R$ 3.679 em fevereiro, com crescimento real acima da inflação. Ainda assim, boa parte desse ganho está sendo absorvida pelo pagamento de dívidas e juros.
Levantamentos indicam que cerca de 40% da renda adicional das famílias já é comprometida antes mesmo de chegar ao consumo básico. Segundo o Banco Central do Brasil, os juros consomem mais de 10% da renda disponível, o maior nível em quase duas décadas. Ao mesmo tempo, o número de brasileiros com restrição de crédito bate recorde, de acordo com a Serasa Experian.
Economistas apontam dois fatores principais para esse cenário: a taxa básica de juros elevada e o aumento dos gastos públicos. A taxa Selic permanece em patamar alto, o que encarece o crédito, enquanto o desequilíbrio fiscal pressiona a inflação e dificulta a redução dos juros. Na prática, o custo do dinheiro mais caro atinge diretamente o consumo das famílias.
Com menos margem no orçamento, o comportamento do consumidor mudou. Pesquisas mostram redução em gastos com lazer, alimentação fora de casa e bens duráveis, além da substituição por produtos mais baratos. Especialistas avaliam que o endividamento deixou de ser pontual e passou a ser estrutural no Brasil, criando um ciclo em que a renda cresce, mas não chega a melhorar de forma consistente a vida das famílias.
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