
Não é a primeira vez que acontece. Nem de longe. Na verdade, é mais comum do que muita gente imagina advogado ou advogada acabar se envolvendo afetivamente com cliente. O convívio intenso, as conversas frequentes, a confiança construída durante processos difíceis e momentos de crise acabam, às vezes, aproximando pessoas.
O que causa espécie neste caso não é exatamente o casamento. O que chama atenção é quem está subindo ao altar.
De um lado, está Thiago Brennand, empresário que cumpre pena superior a 20 anos de prisão após uma série de condenações por estupro e agressões contra mulheres. Do outro, a advogada Karina Kufa, conhecida nacionalmente por sua atuação jurídica em processos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a outros nomes de destaque da política brasileira.
O anúncio do casamento rapidamente ganhou repercussão nacional. Não pelo aspecto romântico da história, mas pelo contexto que cerca o noivo.
Brennand está preso desde 2023. Ao longo dos últimos anos acumulou condenações por crimes sexuais e agressões. A condenação mais recente foi relacionada ao estupro de uma estudante de medicina, resultando em mais oito anos de prisão em regime fechado.
Antes disso, já havia sido condenado pelo estupro de uma cidadã norte-americana e também pela agressão à modelo Helena Gomes em uma academia de luxo em São Paulo. Em outro processo, uma massagista relatou ter sido vítima de estupro e perseguição, caso que também resultou em condenação.
Enquanto isso, Karina Kufa construiu carreira atuando em causas de grande repercussão. Tornou-se conhecida por representar integrantes da família Bolsonaro e outras figuras públicas em dezenas de processos judiciais.
Agora, os caminhos profissionais se transformam oficialmente em uma relação conjugal.
O casamento, naturalmente, desperta curiosidade. Afinal, não é todo dia que um dos presos mais conhecidos do país decide oficializar união com a própria advogada.
Mas o caso também reacende um debate antigo: até que ponto a relação entre defensor e cliente pode ultrapassar os limites profissionais sem comprometer a atividade jurídica?
No aspecto legal, não há impedimento para o casamento. No aspecto moral e social, porém, as opiniões se dividem.
Uma coisa é certa: num país acostumado a histórias improváveis, poucas chamam tanto a atenção quanto a de um empresário condenado por estupro e agressões que, atrás das grades, encontrou justamente na própria defensora a futura esposa.
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