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Brasil DESCONTOS INDEVIDOS

Aposentado, acamado e em asilo: mas a associação não esquece de cobrar

Caso expõe a face mais cruel dos descontos associativos contestados na Justiça e levanta dúvidas sobre a atuação de entidades que sobrevivem às custas de aposentados e pensionistas

22/06/2026 às 07h42
Por: Douglas Ferreira
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Foto: Imagem gerada por IA
Foto: Imagem gerada por IA

Tem associação para tudo no Brasil. Algumas cumprem um papel importante na defesa dos seus filiados. Outras prestam serviços relevantes. Mas existem também aquelas que parecem ter descoberto uma fórmula mágica: descontar dinheiro de aposentados mês após mês, ano após ano, mesmo quando o associado diz que nunca pediu para se associar.

E é exatamente isso que chama atenção no caso envolvendo a Associação dos Servidores Federais e Pensionistas (ASFEP).

Segundo reportagem do Metrópoles, um aposentado da Universidade de Brasília, atualmente acamado e vivendo em uma instituição de longa permanência, trava uma batalha judicial há anos para tentar interromper descontos realizados em seu contracheque.

O mais impressionante é que os descontos começaram em 2015.

Estamos em 2026.

Mais de uma década depois, a cobrança continua aparecendo.

E isso mesmo após a existência de decisões judiciais determinando a suspensão dos débitos.

A pergunta é inevitável: como isso é possível?

A defesa do aposentado sustenta que ele jamais autorizou filiação à entidade. Afirma ainda que nunca utilizou qualquer serviço oferecido pela associação e sequer tinha conhecimento da sua existência.

Se a versão apresentada nos autos for confirmada, o caso deixa de ser uma simples disputa administrativa para se transformar numa questão muito mais séria.

Porque ninguém é obrigado a se associar no Brasil.

A liberdade de associação é um direito constitucional.

Da mesma forma, ninguém deveria ser obrigado a permanecer associado contra a própria vontade.

O drama ganha contornos ainda mais preocupantes quando se observa a situação da vítima.

Quando a ação foi ajuizada, ele já dependia exclusivamente da aposentadoria para sobreviver e custear medicamentos.

Hoje está acamado, vivendo em um asilo e necessitando de recursos para despesas básicas de tratamento e cuidados diários.

Mesmo assim, segundo a ação, os descontos continuam.

O valor que começou em R$ 139,90 mensais já ultrapassa R$ 174 por mês.

Pode parecer pouco para alguns.

Mas para um aposentado que depende exclusivamente do benefício previdenciário, cada centavo faz diferença.

Principalmente quando se trata de remédios, alimentação e cuidados médicos.

O caso também surge justamente no momento em que operações da Polícia Federal e do Ministério Público investigam associações suspeitas de realizar descontos sem autorização em aposentadorias e benefícios previdenciários em diversas partes do país.

Por isso, a história desse aposentado da UnB vai muito além de um processo individual.

Ela levanta uma discussão nacional sobre transparência, consentimento e fiscalização dessas entidades.

Porque uma coisa é representar aposentados.

Outra, completamente diferente, é transformar aposentados em fonte permanente de arrecadação sem autorização clara, livre e consciente.

E quando um idoso acamado precisa passar anos na Justiça para tentar impedir um desconto que afirma nunca ter autorizado, alguma coisa está profundamente errada nesse sistema.

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