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João Vicente Claudino critica “política demais” e pouca transformação no Piauí

Ex-senador aponta falta de foco no desenvolvimento e diz que Estado “exporta gente” por ausência de oportunidades

17/04/2026 às 15h28 Atualizada em 19/04/2026 às 12h41
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Wagner Albuquerque
Foto: Wagner Albuquerque

Tive a oportunidade de conversar, em seu escritório, com o ex-senador João Vicente Claudino, em uma entrevista marcada pela franqueza e pela ausência de rodeios. Ao longo da conversa, JVC falou sobre sua trajetória, fez críticas ao cenário político atual e apresentou sua visão sobre os desafios do Piauí e do Brasil. Agradeço ao diretor do portal Gazeta Hora1, Arthur Feitosa, que tornou esse encontro possível. O resultado é um retrato direto de quem viveu a política por dentro e hoje analisa, com um certo distanciamento, os rumos do Estado e do país.

Entrada na política e visão de missão pública

O ex-senador João Vicente Claudino afirmou que sua entrada na política não foi por tradição familiar direta, mas por convivência com lideranças e pelo desejo de contribuir com o desenvolvimento do Piauí. Empresário por formação, JVC disse que levou anos para convencer a família a aceitar sua candidatura. Para ele, a política não deve ser tratada como profissão, mas como missão de servir e transformar a realidade econômica e social.

Desânimo com Brasília e impacto da Lava Jato

Durante o mandato no Senado, entre 2007 e 2015, JVC destacou que o momento mais difícil foi o avanço da Operação Lava Jato. Segundo ele, o ambiente político se tornou mais lento e improdutivo, com excesso de discursos e pouca entrega prática. O cenário contribuiu para sua decisão de não disputar a reeleição, por entender que o Legislativo perderia ainda mais eficiência diante das crises.

Piauí “marca passo” e perde população

Ao analisar o cenário estadual, o ex-senador foi direto: o Piauí não evoluiu como poderia. Ele criticou a falta de políticas voltadas ao desenvolvimento econômico e afirmou que o Estado se tornou “exportador de gente”. Segundo JVC, muitos piauienses deixam o Estado por falta de oportunidades e acabam não retornando, o que impacta inclusive na perda de representatividade política.

Crítica à gestão e ao uso de recursos públicos

JVC também questionou a forma como o Estado utiliza recursos e contrai empréstimos. Para ele, faltam investimentos com efeito econômico real, capazes de gerar renda e crescimento. Como exemplo, citou obras que não produzem retorno financeiro, o que, na visão dele, compromete a sustentabilidade das contas públicas e limita o avanço do Piauí.

Jovens entre concurso e empreendedorismo

Ao falar com os jovens, o ex-senador adotou um tom equilibrado. Defendeu tanto a importância do serviço público em áreas essenciais quanto o incentivo ao empreendedorismo. Para ele, o desafio está em alinhar a educação com o desenvolvimento econômico, preparando profissionais para gerar riqueza e oportunidades dentro do próprio Estado.

Descrédito nos partidos e foco nas pessoas

Na avaliação política, JVC afirmou que os partidos perderam identidade ideológica ao longo do tempo. Segundo ele, isso fez com que o eleitor passasse a escolher mais pelas pessoas do que pelas siglas. O cenário, na visão dele, reflete uma crise de representação e de clareza sobre projetos políticos no país.

Possível volta e trajetória sem escândalos

Sobre um eventual retorno à política, ele não descartou completamente a possibilidade, mas afirmou não ter planos concretos. Destacou que construiu uma trajetória “limpa” e baseada em princípios, sem escândalos ou promessas não cumpridas. Revelou ainda que foi sondado para disputar cargo majoritário em outro estado, o Maranhão.

Autocrítica e bastidores da política

JVC reconheceu que, ao longo da carreira, enfrentou decepções, especialmente por confiar em lideranças que, segundo ele, não cumpriram acordos políticos. Apesar disso, afirmou não ter arrependimentos graves, mas disse que, com mais experiência, tomaria decisões mais cautelosas para evitar desgastes.

Ciro Nogueira como principal nome do Estado

Ao ser questionado sobre lideranças atuais, apontou o senador Ciro Nogueira como o nome mais forte da política piauiense hoje, destacando sua influência nacional e articulação política, mesmo estando na oposição ao governo federal.

Brasília como “ilha da fantasia” e recado final

Por fim, o ex-senador definiu Brasília como uma “ilha da fantasia”, onde o ritmo da política é lento e muitas vezes distante da realidade da população. Na mensagem final, deixou um tom de esperança: afirmou que o Piauí tem potencial para crescer e não precisa depender de “migalhas”, desde que haja decisão política focada no desenvolvimento e na geração de oportunidades.

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Paulo Ramos FilhoHá 2 meses ParnaibaSempre com analises lucidas da politica do PI. Parabéns amigo JVC
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Sobre Wagner Albuquerque é um jornalista multifacetado, com uma carreira marcada por passagens expressivas pela Band, onde atuou como editor, produtor, repórter e apresentador. Ao longo de sua trajetória, também esteve à frente da Direção de Jornalismo em diversos portais de destaque, sempre pautado pela ética e pela busca da informação de qualidade. Atualmente, é apresentador da TV Lupa1 e jornalista no portal Gazeta Hora1, onde se destaca pela credibilidade, visão analítica e compromisso com a relevância dos fatos que impactam o dia a dia do público.
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