
O Brasil vive um momento de expansão na produção de cevada, o grão que dá origem ao malte e, consequentemente, à cerveja. O país produz entre 400 mil e 500 mil toneladas por ano, volume ainda insuficiente para atender uma demanda industrial que passa de 800 mil toneladas. O Paraná lidera essa produção, favorecido pelo clima, pelo solo e por uma rede cooperativista bem estruturada. Em Guarapuava, a Cooperativa Agrária é um dos principais exemplos desse avanço: desde os anos 60, investe em pesquisa agropecuária e colhe resultados que elevaram a qualidade do grão produzido no país.
Na ponta da cadeia produtiva, o investimento não para. A Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa, recebeu R$ 1,6 bilhão para se tornar a maior do Brasil, com capacidade de produzir 240 mil toneladas de malte por ano. Na mesma cidade, a Ambev abriu uma fábrica de garrafas de vidro com capacidade para 600 milhões de unidades anuais, enquanto o Grupo Heineken despejou R$ 2 bilhões para transformar sua planta local na maior cervejaria da empresa no Brasil e a terceira maior do mundo. O dinheiro pesado no setor mostra o quanto a região dos Campos Gerais virou um polo estratégico para a indústria.
Mas nem tudo vai bem. O Grupo Heineken anunciou o corte de 6 mil postos de trabalho globalmente, cerca de 7% do seu quadro, alegando crescimento menor dos lucros. Mais do que um problema financeiro pontual, o setor enfrenta uma mudança de comportamento que preocupa: a Geração Z está bebendo menos. Uma pesquisa do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) mostrou que entre 46% e 64% dos jovens de 18 a 24 anos não consumiram álcool no último ano. Para quem planta cevada ou investe em maltaria, esse dado não passa despercebido.
Diante desse cenário, especialistas apostam na diversificação como saída. A cevada tem espaço para crescer além da cerveja, na alimentação humana, em produtos integrais e funcionais, na ração animal e até em aplicações industriais. Pesquisadores da área também apontam que os avanços em genética já permitem cultivar o grão em novas regiões do país. Para alguns deles, a autossuficiência nacional em cevada não é apenas possível, é questão de tempo.
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