
Produtores de maçã enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores em meio à expectativa de uma safra recorde no Brasil. Segundo representantes do setor, um dos principais motivos é o receio de beneficiários do Bolsa Família perderem o auxílio ao aceitar empregos temporários na colheita, que dura cerca de 90 dias. Diante desse cenário, muitos preferem não correr o risco, mesmo com vagas disponíveis.
De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), o problema está nas regras do programa social, que podem suspender o benefício em caso de aumento de renda. Apesar de existir a chamada Regra de Proteção, nem todos os trabalhadores temporários são contemplados. O salário médio na colheita gira em torno de R$ 3 mil, o que pode elevar a renda familiar acima do limite exigido para continuar no programa.
A falta de mão de obra já impacta diretamente o setor, que precisa de cerca de 70 mil trabalhadores no período de colheita, concentrado principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Diferente de outras culturas, a produção de maçã depende majoritariamente de trabalho manual, o que torna a escassez ainda mais crítica. O problema também afeta outras áreas da fruticultura brasileira.
No Congresso, um projeto de lei busca resolver o impasse ao permitir que trabalhadores safristas sejam contratados sem perder benefícios sociais. Enquanto isso, o governo afirma que o sistema já considera variações de renda e garante a possibilidade de retorno ao programa. Mesmo assim, produtores alertam que, na prática, o medo de perder o auxílio continua afastando trabalhadores e pode comprometer a produção.
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