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Editorial DEMOCRACIA É ISSO!

A direita não precisa ter medo de existir, e muito menos de disputar eleição

Por que a pluralidade de candidaturas fortalece a democracia e desmonta o discurso hegemônico da esquerda

06/12/2025 às 12h56
Por: Douglas Ferreira
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Bolsonaro indica o filho Flávio para representá-lo na disputa pela presidência - Foto: Reprodução
Bolsonaro indica o filho Flávio para representá-lo na disputa pela presidência - Foto: Reprodução

A esquerda pode até continuar fingindo que não vê a sombra que ela própria projeta sobre o país, mas isso, sejamos francos, é um problema exclusivo dela. O outro lado do espectro político, composto por conservadores, liberais e por todos os que enxergam na esquerda brasileira o verdadeiro atraso nacional, precisa compreender um ponto essencial: antes de qualquer bandeira, antes de qualquer sigla, a bandeira que dá sentido a todas as outras é a da democracia.

Se as eleições presidenciais no Brasil têm dois turnos, qual seria o pecado mortal de se ter vários candidatos de direita disputando legitimamente o pleito? Nenhum. Absolutamente nenhum. A esquerda, todos sabem, flutua entre 25% e 30% dos votos, um teto histórico que dá aos partidos e líderes da direita o espaço necessário para se apresentarem sem medo, sem culpa e sem submissão ao discurso do “nome único”.

A família Bolsonaro tem todo direito de ir às urnas, assim como governadores extremamente bem avaliados. Ninguém, nem imprensa militante, nem centrão ressentido, nem establishment em pânico, tem legitimidade para negar a disputa a nomes como Ratinho Jr. e Ronaldo Caiado, ambos com aprovação acima de 80% em seus estados. O mesmo vale para Romeu Zema e Tarcísio de Freitas, governadores que exibem solidez administrativa e índices invejáveis.

A direita e o campo conservador não precisam parecer unidos agora, ao contrário, a pluralidade é justamente o que os torna mais democráticos. Não há contradição alguma entre múltiplas candidaturas no primeiro turno e uma convergência no segundo. Lula da Silva mesmo se gabava, anos atrás, de disputar eleições em que os dois principais adversários estavam à esquerda, Dilma e Aécio, lembram? O Brasil mudou. Evoluiu. Desavermelhou.

Por muito tempo, a direita brasileira foi acanhada, tímida, quase clandestina. Até que descobriu sua própria voz, sua identidade e, sobretudo, sua coragem. Foi para as ruas, tomou os espaços públicos, ergueu bandeiras, enfrentou a máquina. E isso não apenas incomodou o sistema, assustou, assombrou os que já se julgavam donos do Brasil. Pela primeira vez, metade do país acordou, saiu da poltrona, pôs a cara no sol e decidiu existir politicamente.

Nesse processo, Bolsonaro se tornou o catalisador dessa energia. Com falhas e virtudes, ele deu corpo à indignação, canalizou o antipetismo legítimo, se comunicou com a base sem intermediários. O resultado foi tão forte que o sistema inteiro tremeu. Quase infatou e precisou manobrar, se articular, maquinar e acionar tudo e todos, inclusive o "mundo inferior" para recolocar um condenado no jogo eleitoral e “descondená-lo” às pressas, tudo devidamente revelado por quem conhece as entranhas do processo, como Eduardo Tagliaferro.

Mas mesmo com a “vitória do 'bem contra o mal'”, narrativa oficial, quem perdeu foi o Brasil. E perde novamente quando vê o establishment se mover num vale-tudo para não largar o poder. Ora, se eles podem tudo, por que Bolsonaro não pode indicar um nome? Por que seria aceitável o filho de Lula transitar ileso entre suspeitas envolvendo "mesadinha' de R$ 300 mil e "luva" de R$ 35 milhões vindos do crime organizado, enquanto o filho de Bolsonaro, senador, ficha limpa e eleito, seria proibido de disputar?

Pode um acusado e não pode um cidadão?
É esse o jogo?

E então chegamos ao anúncio que incendiou Brasília, Flávio Bolsonaro escolhido pelo pai para disputar o Planalto. A reação do centrão? Frustração seletiva, indignação cênica e… medo. Medo de perder o controle. Medo de perder a narrativa. Medo de não conduzir a direita ao caminho que interessa a eles, não ao país.

Partidos como PP, União Brasil, Republicanos e PSD correram para dizer que isso “isola o bolsonarismo”. Até o mercado oscilou para baixo. O dólar disparou. Mas, como perguntar não ofende: isolado para quem? Para eles, que sonhavam com uma candidatura de Tarcísio controlável, palatável, moldável. O Centrão acredita nisso.

Porém, Zema já disse: múltiplas candidaturas ajudam a somar no segundo turno. Caiado afirmou que segue pré-candidato. Michelle Bolsonaro, após desentendimentos, fechou questão e deu seu apoio. O PL formalizou. O nome está na rua.

O governo Lula, por sua vez, comemora cedo demais a “desarticulação da direita”. Ledo engano. Pois se o sobrenome Bolsonaro ainda mexe profundamente com o país, isso significa que ainda há uma unidade subterrânea, afetiva e política, que nenhum estrategista do Planalto consegue medir.

Enquanto isso, o centrão insiste que não apoiará Flávio, mas quem garante que não mudará? Quem garante que não negociarão? Quem garante que a força eleitoral do Rio não empurrará o próprio jogo?

As investigações contra Flávio, sempre lembradas seletivamente, já foram esvaziadas judicialmente, arquivadas ou neutralizadas. Mas seguem sendo utilizadas como arma política, não porque representam risco legal, mas porque representam risco eleitoral.

O fato é que a direita brasileira vive um momento que não deve ser desperdiçado: pluralidade não é fraqueza, é potência. Múltiplos nomes não desarticulam, ampliam. E a escolha final, no segundo turno, se dá pelas urnas, não pelos editoriais da mídia, nem pelo humor do centrão, nem pela pressão do Planalto.

No fim das contas, as perguntas que realmente importam são outras:

A frustração é de quem?
Ela é real?
Ou é apenas medo de perder influência?

Porque uma coisa é certa:
Tarcísio, Zema, Caiado, Ratinho Jr. e Flávio Bolsonaro juntos representam algo que a esquerda teme profundamente: a direita finalmente deixando de ter medo de existir.

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