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Editorial BLINDAGEM POLÍTICA

A blindagem de Lulinha e o escândalo do INSS: coincidências demais para ser acaso

Do sumiço relâmpago à mesada milionária do “Careca”, o caso que Lula tenta abafar expõe um enredo de blindagem política, suspeitas familiares e uma CPMI cercada por sombras

05/12/2025 às 07h15 Atualizada em 05/12/2025 às 20h13
Por: Douglas Ferreira
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Lulinha e Careca do INSS - Foto: Reprodução/Montagem
Lulinha e Careca do INSS - Foto: Reprodução/Montagem

Se tem uma coisa que brasileiro aprende rápido é reconhecer quando tem coisa errada no ar. E, convenhamos, o súbito “adeus Brasil, olá Espanha!” de Fábio Luiz, o famoso Lulinha, não cheira a mudança de cenário, cheira a fuga sincronizada com roteiro. O rapaz simplesmente sumiu. Do dia pra noite. Vapt-vupt. Dormiu no Brasil, amanheceu do outro lado do Atlântico. Nem teve aquela foto tradicional no aeroporto com mochilinha, jaqueta amarrada na cintura e legenda estilo “mudanças são necessárias”. Nada. Silêncio sepulcral.

E por meses ninguém falou dele. Confesso: até eu esqueci do "fenômeno dos negócios" do presidente Lula. Vida corrida, escândalo novo todo dia, a gente não dá conta de guardar tudo. Mas eis que, como nos melhores roteiros de suspense político, o nome do “megaempresário” da família Silva ressurge diretamente no rol de beneficiários da quadrilha que roubava aposentados, viúvas e velhinhos do INSS.

Juro que, num primeiro momento, achei que era montagem. Meme. Pegadinha. Até fake news. Mas aí eu lembrei de onde vem a árvore genealógica: uma família cujo patriarca foi condenado em três instâncias por corrupção e ocultação de patrimônio. Uma família onde o irmão de Lula, o Frei Chico, também aparece no mesmo enredo. E um tio citado no escândalo do INSS, um filho citado, uma ex-nora que melhor nem tocar no assunto, mamãe não deixa, não deixa não. Aí eu pensei: coincidência demais não é coincidência. É padrão.

E o que deixa uma pulga do tamanho de um jabuti atrás da orelha do brasileiro honesto é que Lula mexeu mundos e fundos para impedir a convocação de Lulinha e de Frei Chico na CPMI do Rombo do INSS. É aquela velha máxima que vovó ensinava: "quem não deve não teme". Só que, no Brasil, parece que virou quem deve, teme, mas tem tropa de choque no Congresso para resolver.

A CPMI, claro, tocou o barco sem eles. E aí veio o estouro: depoimentos à Polícia Federal, esses sim, sem teleprompter, sem padrinhos, revelaram que Lulinha recebia R$ 300 mil por mês do notório Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, figura de proa da quadrilha que lesou os aposentados. Isso mesmo: trezentos mil por mês. Não é salário, não é consultoria, não é prestação de serviço. É mesadinha nível realeza corrupta.

E tem mais: no dia 8 de novembro de 2024, Lulinha fez uma viagem para Lisboa ao lado do dito cujo. Mesmo voo, mesma rota, possivelmente até dividindo amendoim e revista de bordo. O relator, Alfredo Gaspar, já entregou de bandeja o número do voo, as poltronas, o horário, o modelo do avião e, se brincar, até o sanduíche que comeram. Falta só a PF apertar o play e ver o filme pronto.

“Vão encontrar uma quadrilha”, disse o relator. E eu não duvido. O que eu duvido, e só um pouco, é que deixem essa quadrilha aparecer inteira, de corpo inteiro, em 4K, áudio limpo e legenda em português. Sempre some alguém do elenco antes do final.

Gaspar exasperou: “não aguento mais essa blindagem despudorada”. E o Brasil inteiro entende. Porque, enquanto o pai é blindado por parte da imprensa, o filho é blindado pelos aliados no Congresso. E o tio… bem, o tio entra no combo família feliz.

O brasileiro pode até votar em mensaleiro, propineiro, condenado, reincidente, enganador profissional. Pode. Somos uma democracia, afinal. Mas vota sabendo. Porque bandidagem acha que engana, mas não engana ninguém. No máximo, engana quem quer ser enganado. E não são poucos!

A CPMI segue. A verdade aparece. Não na velocidade que gostaríamos, nem com a transparência que merecemos. Mas aparece. E, mesmo que o sistema se esforce para esconder, blindar, proteger e empurrar para debaixo do tapete as figuras principais do enredo, uma coisa fica clara: quando o filho viaja com o chefe da quadrilha, recebe mesada da quadrilha e é blindado para não falar da quadrilha… fica complicado dizer que é só coincidência.

Coincidência? Ah, meu amigo… coincidência tenta. Mas não consegue.

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