
A dor da mãe de Alice Brasil, de 4 anos, voltou à tona com a conclusão do inquérito que classificou como “acidental” a morte da menina dentro do Colégio CEV, em Teresina. Para Dayana Brasil, o parecer da Polícia Civil é uma segunda sentença de morte: “Minha filha morreu pela segunda vez, nas mãos da Polícia Civil do Piauí”, escreveu nas redes sociais.
A revolta da família é compreensível. Afinal, ninguém duvida de que Alice foi vítima de um acidente — o que se questiona é a causa. A tragédia, segundo a família, decorre de negligência da escola, que deveria garantir a segurança das crianças sob sua responsabilidade. “Alguém deveria estar ali para impedir o acidente. Alguém falhou”, disse um familiar.
A advogada da família, Aryelly Pacífico, reforça que houve falha estrutural e omissão na vigilância. O inquérito comprovou que apenas uma cuidadora monitorava cinco crianças, enquanto a professora estava em outra sala. O móvel que caiu sobre Alice, uma penteadeira de 32,6 kg, não estava fixado, contrariando normas de segurança. Mesmo assim, o caso foi arquivado sem indícios de crime.
O pai, Cláudio Sousa, também usou as redes sociais para prestar uma homenagem à filha no Dia das Crianças. Na foto publicada, ele aparece com a esposa e o filho, Arthur, segurando um porta-retrato com a imagem da menina. “Hoje celebramos o sorriso de Arthur e homenageamos nossa amada Alice, que brilha como um anjo no céu”, escreveu.
Para os pais, a justiça ainda não foi feita. Eles pedem responsabilização da escola e reabertura do caso, baseando-se na responsabilidade objetiva — princípio que obriga quem exerce atividade de risco a reparar danos, mesmo sem dolo ou culpa. “Concluir que foi apenas um acidente é ignorar o dever de proteger nossas crianças”, afirma a defesa.
O caso de Alice gerou comoção em todo o Piauí e inspirou dois projetos de lei em tramitação nas câmaras municipal e estadual. As propostas exigem fixação de móveis e objetos pesados em escolas e regras mais rígidas de vigilância infantil.
Enquanto o processo segue, a lembrança da pequena continua viva. “Migalice segue em cada sorriso do irmão, em cada gesto de amor. Ela é a estrela que guia nossos passos”, escreveu Dayana.
O desabafo da mãe ecoa como um grito de justiça e um pedido de empatia: nenhuma criança deveria morrer onde deveria estar segura.
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