
O escrivão da Polícia Civil do Piauí Carlos Alberto Pimentel foi condenado a 17 anos, dez meses e três dias de prisão, em regime fechado, por crimes relacionados ao desvio e à venda irregular de motocicletas apreendidas na Delegacia de Polícia de Porto, no Norte do estado. A decisão foi assinada pelo juiz Thiago Carvalho Martins, da Vara Única da Comarca de Porto. A sentença também prevê a perda do cargo público após o fim de todas as possibilidades de recurso.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Piauí (MPPI), os fatos ocorreram entre agosto de 2018 e janeiro de 2019. A investigação apontou que o escrivão teria aproveitado períodos em que o delegado titular estava ausente para retirar motocicletas que permaneciam sob a guarda da delegacia. Ao menos sete veículos teriam sido retirados sem os procedimentos legais e, posteriormente, alguns foram encontrados circulando com outras pessoas.
De acordo com o processo, as motos seriam repassadas e vendidas com a participação de outras pessoas. A acusação também apontou o uso de documentos falsos para tentar dar aparência de regularidade aos veículos. Carlos Alberto ainda foi condenado por concussão após, segundo a denúncia, exigir R$ 400 de uma mulher para liberar uma motocicleta cuja devolução já havia sido autorizada pela Justiça.
Além do escrivão, Ronaldo Rocha e Bruno Machado Sampaio também foram condenados no processo, sob a acusação de participação no esquema. Conforme a decisão, um deles teria utilizado uma oficina para receber e preparar os veículos, enquanto o outro atuaria na intermediação das vendas. Os dois poderão recorrer em liberdade. Outros dois acusados foram absolvidos. Carlos Alberto foi condenado pelos crimes de peculato, desvio, concussão, receptação dolosa e associação criminosa.
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