
Ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, o jurista Almir Pazzianotto resumiu, em poucos tópicos, o que deveria ser a essência das promessas de qualquer candidato à Presidência da República. Evocando a primeira frase do discurso de posse que a morte impediu Tancredo Neves de ler, Pazzianotto resume qual deveria ser o primeiro compromisso com o eleitor: “É proibido gastar”.
O combate à corrupção, a extinção do Fundo Eleitoral e o fim das emendas parlamentares figuram entre os compromissos essenciais: “A garantia de punição aos corruptos, com pena de prisão prolongada, sem direito à liberdade condicional, anistia ou indulto, provavelmente renovaria as esperanças do povo, desiludido da eficácia de legislação velha, leniente, à disposição de tribunais desacreditados”, afirma Pazzianotto em sua coluna.
A ofensiva tramada por integrantes dos Três Poderes contra o ministro do STF André Mendonça, depois do avanço das investigações sobre o caso Master e o envolvimento de Lulinha no escândalo do INSS, mostra que o país ainda caminha no sentido oposto. Além de resistir a manobras de colegas, Mendonça disputa uma queda de braço com a ala da Polícia Federal obediente a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, revela Cristyan Costa na reportagem de capa desta edição.
A turma do Supremo não está para brincadeira. Enquanto Alexandre de Moraes se fantasia de carcereiro-chefe do Brasil, Flávio Dino atua como imperador do Maranhão, constata Anderson Scardoelli. Dino é o atual gerente da capitania que atravessou décadas sob o controle da família Sarney. Assim como fez o ex-presidente enquanto reinou no Maranhão, Dino mantém a plebe na miséria e no atraso. Agora, no STF, segue fazendo o diabo. “Dino já demonstrou que outra característica o assemelha a Sarney: o apego ao poder”, observa Anderson.
Como se não houvesse nada urgente a consertar no país, o Legislativo está mais uma vez às moscas. “Corredores vazios, acompanhando o clima de deserto que toma Brasília no auge da seca”, relata Sarah Peres. Apesar de não frequentarem o local de trabalho, deputados e senadores seguem recebendo salário: mais de R$ 46 mil brutos por mês, ou quase R$ 555 mil ao ano. O senso de urgência que os parlamentares não demonstram na hora de votar temas fundamentais para o Brasil ou de frear os abusos do Executivo e do Judiciário será retomado em breve para apressar projetos eleitoreiros de Lula.
Há muito a ser discutido sobre o futuro imediato do país. Os debates na TV foram relevantes durante o período pós-redemocratização, mas “o modelo sugere um certo cansaço”, afirma Adalberto Piotto. A opção das redes sociais, as regras cada vez mais rígidas — que não evitam um clima caótico — e o pragmatismo dos marqueteiros levaram ao esvaziamento da fórmula.
Enquanto isso, Lula segue prometendo picanhas e não enxergando as falcatruas que acontecem a um palmo do nariz. “Lulinha vai para Portugal com o Careca do INSS, a dupla volta pronta para vender ao governo uma imensidão de canabidiol e Lula nada vê”, afirma Augusto Nunes. Assim como fez com o sítio em Atibaia e o triplex no Guarujá, Lula também não enxerga a boa vida do filho na Espanha, as gordas mesadas doadas a Lulinha por vigaristas, muito menos as relações do filho com a trambiqueira Roberta Luchsinger.
Mesmo que passe a vida evitando dar entrevistas a jornalistas independentes, participar de debates ou responder a perguntas incômodas, em algum momento Lula terá de falar a verdade sobre essas e outras evidências de maracutaias.
Boa leitura. Branca Nunes - Diretora de Redação. Eis a capa da Influente e Conceituada Revista Oeste
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