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Política EM FOTOS E EM CORES

Além de Lula, lobista se mostra próxima de Janja, Alckmin, Gilmar, Moraes e outras autoridades

Fotos publicadas por Roberta Luchsinger exibem uma extensa rede de contatos no centro do poder, incluindo ministros, integrantes do governo federal e políticos do Piauí

29/08/2026 às 10h38 Atualizada em 29/08/2026 às 11h48
Por: Douglas Ferreira
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Roberta Luchsinger uma das lobistas mais bem relacionadas de Brasília - Foto: Reprodução
Roberta Luchsinger uma das lobistas mais bem relacionadas de Brasília - Foto: Reprodução

Roberta Luchsinger construiu nas redes sociais uma espécie de álbum de fotografias com algumas das figuras mais conhecidas da política e do Judiciário brasileiro. A sequência de imagens chama atenção pela diversidade dos personagens e pela proximidade exibida com integrantes do governo Lula e ministros dos tribunais superiores.

Entre os nomes que aparecem nas publicações estão o presidente Lula, a primeira-dama Janja, o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, além de integrantes e ex-integrantes do governo federal.

Também aparecem nas fotografias nomes ligados ao PT e à Esplanada dos Ministérios, entre eles Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad, Wellington Dias, Alexandre Padilha, Nísia Trindade e Márcio França.

A coleção de imagens ganhou novo significado depois que Luchsinger passou a ser citada em investigações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A lobista também aparece relacionada a apurações que alcançam negócios e contratos envolvendo personagens investigados no escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

É importante, porém, separar fotografia de prova. O próprio Supremo Tribunal Federal esclareceu que registros fotográficos com ministros ocorreram em eventos públicos, solenidades ou situações nas quais pedidos de fotos são comuns. Uma imagem ao lado de uma autoridade, isoladamente, não comprova amizade, influência indevida ou participação em qualquer irregularidade.

Ainda assim, o conjunto de fotografias ajuda a dimensionar a rede de relacionamentos que Luchsinger fazia questão de expor publicamente.

A negativa de Lula e as fotografias que o contradizem

O caso mais emblemático é justamente o do presidente Lula. Durante entrevista recente, o presidente afirmou não conhecer Roberta Luchsinger e chegou a dizer que nunca a tinha visto. A declaração, porém, esbarrou em um detalhe incontornável: existem fotografias publicadas pela própria lobista nas quais os dois aparecem juntos. Levantamentos recentes identificaram pelo menos três registros, enquanto outras reportagens contabilizaram um número maior de imagens no perfil dela.

A defesa política de Lula é a de que uma fotografia não significa necessariamente que exista relação pessoal, profissional ou política. E, juridicamente, é preciso reconhecer que uma foto isolada não prova qualquer irregularidade.

Mas há uma diferença entre dizer “não tenho relação com essa pessoa” e afirmar que “nunca a vi”. A primeira é uma avaliação sobre vínculo. A segunda é uma afirmação factual. E as próprias fotografias mostram que Lula e Luchsinger estiveram no mesmo ambiente e posaram juntos em mais de uma ocasião.

É justamente aí que a explicação presidencial perde força. Lula pode sustentar que não tinha relação pessoal com Luchsinger, que não conhecia suas atividades ou que as fotografias foram apenas registros protocolares. Mas dizer que nunca a viu diante de imagens em que os dois aparecem juntos cria uma contradição que não pode ser apagada simplesmente com a explicação de que um presidente tira muitas fotografias.

A fotografia não prova o crime. Mas prova o encontro. E, neste caso, esse detalhe é relevante porque a pessoa fotografada com o presidente está no centro de investigações que envolvem justamente sua rede de relações com pessoas próximas ao núcleo do poder.

Wellington Dias e o presente de Paulo Coelho

Entre os personagens piauienses que aparecem no álbum de Luchsinger está Wellington Dias, ex-governador do Piauí e atual ministro do Desenvolvimento e Assistência Social.

Uma das imagens chama atenção de maneira especial: Luchsinger aparece ao lado de Dias segurando o livro O Alquimista, de Paulo Coelho, que teria sido presenteado pela lobista ao ministro. O registro é de 9 de março de 2023. Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, Luchsinger realizou 17 visitas ao gabinete de Wellington Dias entre 2023 e 2026. A assessoria do ministro afirmou que os dois mantêm uma relação de amizade de longa data e que não houve atos administrativos ou contratos com empresas de Luchsinger.

O episódio ganha relevância não por transformar uma fotografia ou um presente em prova de irregularidade, mas pelo contexto. A mesma pessoa que exibia fotografias com integrantes do STF e ministros do governo também mantinha acesso frequente ao gabinete de um dos principais políticos do Piauí, agora integrante do governo Lula.

É uma relação que merece ser examinada à luz dos fatos, das agendas, das mensagens e dos eventuais assuntos tratados nos encontros, e não apenas das fotografias.

A conexão com Rafael Fonteles

A rede política de Luchsinger também alcança o Piauí em outra geração do grupo petista.

Durante a campanha eleitoral de 2022, ela aparece ao lado de Rafael Fonteles, então candidato ao governo do Estado, e de Wellington Dias, que disputava uma vaga no Senado. Publicações feitas pela própria Luchsinger mostram apoio explícito às candidaturas e registros de campanha ao lado dos dois petistas.

Rafael Fonteles acabou eleito governador e sucedeu Wellington Dias no comando do governo do Piauí. A presença de Luchsinger ao lado dos dois, portanto, revela que sua rede de contatos políticos não se restringia ao núcleo de Brasília.

Ela também transitava pelo ambiente político piauiense, ao lado de dois dos principais nomes do PT no Estado.

Mais do que uma coleção de selfies, o conjunto de imagens desenha uma trajetória de circulação entre diferentes ambientes de poder, do governo estadual do Piauí ao governo federal, do Planalto ao Supremo Tribunal Federal.

Do Planalto ao Supremo

Entre as imagens mais comentadas estão as que mostram Luchsinger ao lado de Lula. A presença do presidente no álbum também entrou no debate político porque Lula afirmou não conhecê-la, embora existam registros dos dois juntos.

A rede de contatos não se limita ao presidente. Janja também aparece nas publicações, assim como Alckmin e diversas autoridades do governo federal.

No Judiciário, Luchsinger aparece ao lado de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Luís Roberto Barroso e Carlos Ayres Britto, além da ministra do STJ Daniela Teixeira.

O STF ponderou que parte desses registros ocorreu em eventos institucionais e públicos, nos quais ministros costumam posar para fotografias com convidados.

As conexões com o governo

As fotografias também alcançam o Ministério da Saúde. Luchsinger aparece ao lado da ex-ministra Nísia Trindade e de Swedenberger Barbosa, o Berger, que ocupa atualmente o cargo de chefe de gabinete adjunto do presidente Lula.

Segundo reportagens, Berger é citado em investigação relacionada a uma suposta articulação envolvendo Luchsinger e Lulinha para a tentativa de viabilizar um contrato de R$ 626 milhões com uma empresa ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

O atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também aparece em fotografias com a lobista. O senador Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS, pediu que Padilha seja convocado pelo Senado para esclarecer se houve reuniões ou articulações envolvendo Luchsinger e o Ministério da Saúde.

A pasta, segundo a reportagem, não respondeu aos questionamentos sobre eventuais encontros, contratos, projetos ou processos relacionados ao lobby atribuído à lobista.

Uma rede que chama atenção

A sequência de fotografias, portanto, não é prova, por si só, de qualquer crime. Mas revela algo que dificilmente pode ser ignorado: Roberta Luchsinger circulava por ambientes frequentados por algumas das autoridades mais poderosas da República e fazia questão de registrar esses encontros.

Do Planalto ao STF, passando pelos ministérios e pelo núcleo político do PT no Piauí, a rede de relacionamentos exposta nas redes sociais é extensa.

Agora, diante das investigações envolvendo seu nome e o de Lulinha, essas fotografias deixaram de ser apenas registros sociais. Tornaram-se elementos de contexto para entender quem era Roberta Luchsinger, com quem ela mantinha contato e até onde chegava seu acesso aos centros de poder.

Fotografia não é prova de crime. Mas fotografia também não deixa de ser um registro de um encontro porque, posteriormente, alguém decidiu dizer que não conhecia a pessoa que aparece ao seu lado.

No caso de Lula, essa é justamente a questão que permanece sem resposta satisfatória: o presidente pode negar qualquer relação com Luchsinger, mas não pode apagar as imagens que registram que os dois estiveram juntos. E, quando essas imagens são confrontadas com as demais conexões da lobista, deixam de ser simples selfies e passam a integrar o contexto de uma história que agora está sendo investigada.

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