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Editorial FAVAS CONTADAS

Os “Rafaboys” e a nova face da velha política no Piauí

Série especial: Geração Contaminada- 1⁰ episodio

08/10/2025 às 19h12 Atualizada em 09/10/2025 às 10h10
Por: Redação GH1 Fonte: Arthur Feitosa
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Os “Rafaboys” e a nova face da velha política no Piauí

O Piauí, ao longo de décadas, tem convivido com a sombra de uma elite política que se retroalimenta da miséria do povo. Mas o que vemos hoje é uma versão mais ousada, mais despudorada e mais cínica dessa realidade: os chamados “rafaboys”, jovens apadrinhados do governador Rafael Fonteles, que transformaram o poder público em palco para ostentação.

Diferente dos antigos caciques do PT, que ainda tinham o pudor de mascarar seus privilégios, essa nova geração não tem receio de repressão nem de julgamento público. Pelo contrário: exibe como troféus carros importados de altíssimo valor, desfilando pelas ruas de Teresina como se fossem personagens de uma novela decadente. Nem os maiores empresários do estado ousam se mostrar com tamanha insolência e, sobretudo, com tão pouca idade.

O contraste é cruel: enquanto a maioria dos piauienses enfrenta dificuldades diárias para pagar contas básicas, os rafaboys — sustentados pelos cofres públicos — fazem questão de esfregar na cara da população sinais de um enriquecimento precoce e inexplicável. Não se trata apenas de arrogância, mas de um projeto de poder que naturaliza a desigualdade e normaliza a corrupção. Mais grave ainda: eles não demonstram qualquer receio de responder judicialmente por possíveis crimes cometidos contra a economia popular. É como se vivessem blindados por uma impunidade garantida, certos de que nada nem ninguém ousará confrontá-los.

Esse comportamento não surge do nada. Ele é parte de um ciclo vicioso que aprisiona o Piauí. De um lado, um povo sufocado pela carga tributária, obrigado a sobreviver de migalhas distribuídas em programas de assistencialismo; do outro, uma elite dominante que concentra não apenas a riqueza, mas também o poder político e cultural.

O resultado é um cenário de estagnação social e econômica: famílias condenadas ao atraso enquanto poucos se perpetuam no poder, alimentando a máquina estatal e tratando-a como propriedade privada.

Se antes ainda existia um verniz moral ou uma tentativa de esconder os excessos, agora a máscara caiu. Vivemos um tempo de descaramento absoluto, em que tudo parece permitido para alcançar os objetivos de uma vida mundana. 

A elite intelectual do Piauí, formada pela brilhante geração oriunda do renomado Instituto Dom Barreto — jovens que, outrora celebrados como “rafaboys” pela capacidade de vencer os mais exigentes escrutínios nacionais — hoje revelam, em suas atitudes amplamente expostas, uma inquietante metamorfose. Com espantosa rapidez, começam a ser reconhecidos pela sociedade não mais pelo mérito intelectual, mas pelo comportamento típico dos “rapaboys”: arrogância, vaidade e submissão ao poder.

O preço é alto: destruição de valores, corrosão da religiosidade, enfraquecimento da fé e da estrutura familiar. O poder virou sinônimo de ostentação, e a política foi reduzida a um negócio de rapina.

A política partidária no Piauí, assim como no Brasil, está cada vez mais dominada por verdadeiros corsários. Não falamos apenas de “colarinho branco”, mas de uma classe política que age sem pudor, que usa a máquina pública como caixa eletrônico particular e que, para manter seu domínio, é capaz de tudo.

Não se trata mais de corrupção velada, mas de um espetáculo público, um escárnio coletivo. O povo é colocado no papel de plateia, forçado a assistir ao show da ostentação enquanto carrega nas costas o fardo dos impostos e a humilhação da dependência.

O grande desafio do Piauí é romper com essa lógica de submissão. Enquanto aceitarmos as migalhas lançadas por essa elite e aplaudirmos os sinais de riqueza que não nos pertencem, permaneceremos presos nessa engrenagem que nos sufoca.

Os rafaboys são apenas o símbolo mais recente de um problema histórico: a incapacidade de transformar o poder público em instrumento de desenvolvimento coletivo. E enquanto não houver reação, continuaremos a ser governados por aqueles que enxergam no povo não cidadãos, mas servos de um sistema perverso.

 

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