
Há momentos na história de uma nação em que o silêncio dos bons grita mais alto do que a voz dos maus. O Brasil vive um desses momentos. Um tempo em que a toga virou espada, e a Constituição, alvo de rasuras.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, vem sendo acusado de extrapolar os limites do cargo. Com o pretexto de proteger a democracia, segundo críticos, estaria promovendo censura, perseguindo opositores e usurpando competências dos demais Poderes — tudo isso debaixo do silêncio cúmplice de parte do Congresso.
Mas uma fagulha reacende a esperança de equilíbrio institucional: um movimento no Senado que busca o impeachment de Moraes já conta com 40 assinaturas. São senadores que entendem que a democracia não sobrevive sem freios, contrapesos e coragem. Senadores que ousam. Que enfrentam. Que escolhem o Brasil, não os cargos.
Para que a matéria seja pautada, o Regimento Interno do Senado, em seu artigo 58, é claro:
“A pauta poderá ser modificada pela Presidência, de ofício ou a requerimento da maioria absoluta dos membros do Senado”.
Com 54 assinaturas, a Presidência do Senado é obrigada a pautar a matéria. Ou seja: o impeachment de Moraes não é uma pauta impossível — é uma questão de maioria.
Dos 81 senadores, 41 já assinaram. Outros 21 estão indecisos. E 19 formam a base governista — colada ao Palácio do Planalto e, ao que tudo indica, em consórcio com o STF.
Mas o que causa espanto é a omissão da bancada do Piauí.
Marcelo Castro (MDB) e Juçara Lima (PP) estão entregues ao lulismo. O primeiro é velho conhecido do petismo; a segunda, esposa de deputado da base aliada, é refém política do governo.
Mas e Ciro Nogueira, o outrora líder da oposição? Por que se calou? Por que não assinou?
A resposta do senador é evasiva:
“Não assinei e nem vou assinar porque é uma pauta impossível”.
Impossível? Ou inconveniente? Ciro conhece o Senado como poucos. Sabe onde pisar. Mas também sabe que política não é feita apenas com cálculo — é feita com posições. E a história não costuma perdoar os omissos.
Ainda há tempo. O Senado é uma casa política, e como tal, reage ao clamor das ruas. A pressão pode quebrar a mordaça do medo. A coragem pode nascer da convicção. E o Brasil pode ser reconstruído com livros, sim — mas também com homens que não se curvam.
A luta de agora é dura. Não é para todos. Mas é a única capaz de impedir que a toga se transforme em trono. E que o Supremo se torne absoluto num regime que ainda se pretende democrático.
Confira o vídeo com as justificativas de Ciro Nogueira:
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