Segunda, 13 de Julho de 2026
29°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Política EMENDA PARLAMENTAR

Motta reage a Dino e acusa STF de criminalizar a atividade política

Presidente da Câmara afirma que suspensão de R$ 119,2 milhões em emendas e bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto representam interferência indevida do Judiciário nas atribuições do Poder Legislativo

13/07/2026 às 09h05
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Hugo Motta, presidente da Câmara Federal - Foto: Reprodução
Hugo Motta, presidente da Câmara Federal - Foto: Reprodução

A decisão do ministro do STF, Flávio Dino, de suspender R$ 119,2 milhões em emendas parlamentares e determinar o bloqueio de bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, provocou uma forte reação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Para o parlamentar, a medida representa uma interferência indevida do Poder Judiciário sobre uma atividade que, segundo ele, faz parte da rotina política e legislativa.

Os principais pontos da controvérsia são:

Crítica à atuação do STF. Hugo Motta afirma que a decisão de Flávio Dino configura uma "intervenção judicial indevida" e tenta transformar uma atividade política legítima em conduta criminosa.

Ausência de provas de desvio. Segundo o presidente da Câmara, a decisão não aponta irregularidades na aplicação dos recursos públicos, nem identifica desvios, limitando-se a levantar suspeitas sobre a forma de distribuição das emendas.

Defesa das emendas parlamentares. Motta sustenta que a destinação dos recursos ocorreu dentro das regras atualmente vigentes e dos acordos institucionais firmados entre Executivo, Legislativo e o próprio STF.

Funcionamento administrativo dos gabinetes. O presidente da Câmara argumenta que é normal parlamentares delegarem a assessores a operacionalização das indicações de emendas, seguindo orientações partidárias, sem que isso configure qualquer ilegalidade.

Investigação da Polícia Federal. A PF, por outro lado, apresentou ao ministro Flávio Dino indícios de que Valdemar Costa Neto teria coordenado a destinação de aproximadamente R$ 119 milhões em emendas para municípios administrados não apenas por aliados do PL, mas também por prefeitos de outras legendas, mesmo sem exercer mandato parlamentar.

Bloqueio de bens. Com base nesses indícios, Dino determinou o bloqueio de bens de Valdemar no mesmo valor das emendas investigadas, como medida cautelar durante o andamento das apurações.

Defesa de Valdemar. Os advogados do presidente do PL classificam os fundamentos da decisão como frágeis e afirmam que a articulação política entre dirigentes partidários e parlamentares faz parte da atividade política, negando qualquer prática criminosa.

Em síntese, o episódio amplia o embate entre Judiciário e Legislativo sobre os limites da atuação do STF na fiscalização das emendas parlamentares. Enquanto Hugo Motta vê uma tentativa de criminalizar a articulação política e invadir competências do Congresso, a investigação conduzida pela Polícia Federal e supervisionada pelo ministro Flávio Dino busca apurar se houve desvio de finalidade ou influência irregular na distribuição de recursos públicos. O caso ainda deverá ter novos desdobramentos nas próximas semanas.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários