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Ceará sem pedágio, Piauí com concessões: por que dois Estados vizinhos seguem caminhos opostos?

Enquanto o Ceará, com economia mais forte e maior fluxo de veículos, permanece fora dos leilões de rodovias, o Piauí já aposta em concessões à iniciativa privada para ampliar investimentos em infraestrutura

13/07/2026 às 11h08
Por: Douglas Ferreira
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Pedágio na Trans Cerrado Piauí - Foto: Reprodução
Pedágio na Trans Cerrado Piauí - Foto: Reprodução

O fato de o Ceará, uma das economias mais fortes do Nordeste, não possuir rodovias concedidas à iniciativa privada, enquanto estados mais pobres, como o Piauí, já convivem com concessões e cobrança de pedágio, desperta um debate sobre os critérios adotados pelo governo federal e pelos próprios estados. À primeira vista, parece uma contradição: onde há maior circulação de veículos, maior atividade econômica e maior capacidade de gerar receitas, não há concessões. Já em estados com menor fluxo de tráfego e menor renda, o modelo avança. Mas a explicação passa por fatores técnicos, econômicos e políticos, e não necessariamente por dois pesos e duas medidas.

Os principais pontos são:

Ceará ficou fora dos leilões. A carteira de concessões do Ministério dos Transportes para 2026 prevê 13 leilões de rodovias em diversos estados, mas nenhum trecho no Ceará. O estado aparece apenas como objeto de estudos para futuros projetos.

O paradoxo nordestino. O Ceará possui uma economia diversificada, forte setor industrial, turismo consolidado, agronegócio em expansão e um fluxo de veículos superior ao de vários estados da região. Ainda assim, permanece sem rodovias concedidas, enquanto o Piauí já opera concessões estaduais e até regulamenta questões relativas à cobrança de pedágio.

Viabilidade econômica é determinante. Segundo o Ministério dos Transportes, o modelo antigo de concessões exigia tráfego elevado, investimentos muito altos e tarifas elevadas. A atual estratégia busca adaptar os contratos às características regionais, mas muitos corredores do Nordeste ainda passam por estudos de viabilidade.

No Piauí, as concessões têm outro perfil. As concessões piauienses estão concentradas em corredores estratégicos para o escoamento da produção agrícola dos Cerrados, especialmente a chamada Rodovia da Soja, cujo modelo combina investimento privado com mecanismos de parceria público-privada e até estudos para isenção de pedágio para veículos leves.

Falta integração logística no Ceará. Especialistas afirmam que o estado ainda carece de maior integração entre rodovias, ferrovias e grandes corredores logísticos. Obras como o Arco Metropolitano, melhorias no Anel Viário e conexões com a Ferrovia Transnordestina são apontadas como prioridades antes da consolidação de novos projetos de concessão.

Não é apenas questão de riqueza. Embora o Ceará tenha uma economia mais robusta que a do Piauí, a decisão de conceder uma rodovia depende de estudos sobre demanda, retorno financeiro, necessidade de investimentos, riscos do contrato e interesse do mercado privado. Em alguns casos, estados menos ricos conseguem estruturar projetos específicos considerados mais atrativos para investidores.

Em resumo, a comparação entre Ceará e Piauí mostra que a existência ou não de concessões rodoviárias não depende exclusivamente do tamanho da economia estadual ou do volume de veículos. O Ceará reúne características que, em tese, favoreceriam esse tipo de investimento, mas seus principais corredores ainda estão em fase de estudos e reestruturação. Já o Piauí priorizou concessões voltadas a corredores logísticos específicos, especialmente ligados ao agronegócio. A diferença, portanto, decorre principalmente da modelagem dos projetos, da estratégia de infraestrutura adotada por cada governo e da viabilidade econômica avaliada para cada trecho, e não, necessariamente, de tratamento desigual entre os estados.

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