
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro na última segunda-feira (4), provocou forte repercussão internacional. A medida, tomada no contexto de investigações sobre suposta tentativa de golpe e descumprimento de restrições judiciais, foi duramente criticada por políticos americanos e veículos da imprensa internacional, que a classificaram como uma afronta à democracia.
Estados Unidos
A deputada republicana María Elvira Salazar declarou que a medida representa um abuso de poder e acusou Moraes de promover perseguição política. “O Brasil está perigosamente perto de se tornar uma ditadura, na qual opositores são silenciados, não julgados”, afirmou. O senador Shane Jett, do estado de Oklahoma, também manifestou apoio ao ex-presidente brasileiro, afirmando que Bolsonaro é alvo de uma “perseguição sistemática” e que os defensores da liberdade estão sendo tratados como inimigos.
O governo de Donald Trump, por meio do Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental, condenou a decisão de Moraes e foi ainda mais contundente: classificou o ministro como um “violador de direitos humanos sancionado pelos EUA” e acusou o magistrado de silenciar a oposição e ameaçar a democracia no Brasil. A publicação oficial também pediu: “Deixem Bolsonaro falar!”, ao criticar as restrições impostas à liberdade de expressão do ex-presidente.
A imprensa estrangeira também reagiu com destaque. O Wall Street Journal afirmou que Bolsonaro enfrenta prisão domiciliar por descumprir ordens judiciais e ser acusado de incitar ataques ao STF. Já o New York Times destacou que o caso está no centro da disputa tarifária entre Trump e o governo Lula, e citou que a Justiça brasileira restringiu as visitas a Bolsonaro e apreendeu seu celular. A rede BBC lembrou que Bolsonaro nega ter planejado um golpe, e o The Guardian relatou que ele teria usado redes de aliados para incentivar ataques ao Judiciário.

Agências como Reuters, France-Presse e Associated Press também cobriram o caso, com a AP chegando a reportar que Bolsonaro é acusado por promotores de chefiar uma organização que pretendia anular o resultado das eleições e até assassinar o presidente Lula e um ministro do STF. Em meio à escalada de tensões, cresce o debate global sobre os limites entre justiça, ativismo judicial e perseguição política no Brasil.
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