
No teatro político da América Latina, é comum ver protagonistas buscando palmas mesmo sem roteiro. E neste final de semana, no palco iluminado de um evento da XP, os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR) roubaram a cena - não com promessas, mas com críticas cirúrgicas. O alvo? O presidente Lula. O motivo? A total inércia diante do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, que impõe taxas de até 50% sobre produtos brasileiros.
A crítica, vinda de três regiões estratégicas - Sudeste, Centro-Oeste e Sul - carrega peso político e econômico. Nenhum deles é amador em gestão. São governadores de Estados que seguram boa parte do PIB nacional. Ou seja, gente que entende de impacto fiscal, comércio exterior e, principalmente, consequências.
O silêncio custa caro
Tarcísio foi direto ao ponto: “Enquanto estamos buscando interlocução com os americanos, o governo federal prefere polarizar internamente. Esqueceu que o adversário agora não é o Bolsonaro, é o Trump”. A crítica é mais que uma alfinetada - é uma constatação: o governo Lula patina em diplomacia como se o Itamaraty fosse um departamento de festas.
Ratinho Júnior, com seu estilo mais midiático, não economizou: “O Brasil está se vitimizando, quando deveria estar agindo.” E está certo. Em um mundo em que cada tarifa imposta representa perda real de competitividade, o mínimo esperado seria reação firme, agenda internacional, pressão diplomática - não discursos de palanque reciclados da década de 80.
Caiado foi ainda mais duro: “Nem fomos consultados. Ninguém do governo nos chamou para discutir nada. E quem está sofrendo é o produtor rural do Goiás, do Paraná, de São Paulo”. Para um presidente que se orgulha de ser o “pai do agro” (mesmo tendo chamado o setor de “fascista”), a omissão nessa crise soa, no mínimo, como abandono.
Mas quem são esses três que apontam o dedo?
Governadores de Estados com equilíbrio fiscal, investimentos em alta e protagonismo econômico. São gestores que, ao contrário do Planalto, enfrentam realidades duras sem verba ilimitada, sem máquina federal e sem pão com mortadela. Sem quentinha em isopor.
Caiado é médico e produtor rural. Sabe o peso da exportação na balança goiana. Ratinho Jr. governa um Paraná que bate recordes no agro. Tarcísio, ex-ministro técnico, administra o Estado mais industrializado e urbanizado do país. Ou seja, têm cacife, sim. E apontam o dedo não por vaidade, mas por responsabilidade.
Falta de reação não é neutralidade, é omissão
Lula, ao ignorar o tarifaço de Trump, está deixando produtores, industriais e exportadores brasileiros à deriva. Enquanto isso, seus articuladores se preocupam mais em montar palanque com quentinha no Vale do Jequitinhonha do que em montar estratégia para negociar com Washington.
E aqui vai um alerta: não adianta vitimismo em rede social, se o prato de arroz com feijão da diplomacia está vazio. Trump não lê cartilha do Foro de São Paulo. O mundo mudou - e o Planalto parece não ter percebido.
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