
A temperatura política subiu de vez no Piauí. Uma gravação vazada e amplamente compartilhada nas redes sociais está causando um verdadeiro terremoto no governo do Estado. O áudio atribuído ao vereador Raimundo do Lero (PSD), da pequena cidade de Dom Inocêncio, no extremo Sul piauiense, expõe uma acusação bombástica: o governador Rafael Fonteles (PT) teria exigido R$ 2 milhões em propina para liberar recursos de obras no município.
E o mais estarrecedor: a denúncia não parte da oposição, como geralmente acontece - mas sim de um aliado, um parlamentar municipal do mesmo grupo político que sustenta o governo estadual. Fogo amigo? Desabafo inconsequente? Arrependimento tardio? Ou denúncia real abafada pela pressão dos bastidores?
O que diz o áudio?
No conteúdo, que viralizou e chegou à mídia por meio do portal OitoMeia.com, o vereador afirma ter testemunhado uma conversa comprometedora. Ele relata, com riqueza de detalhes, que um empresário comentava sobre a necessidade de:
“Liberar R$ 2 milhões porque o Rafael está precisando de hoje para amanhã”.
Segundo o edil, isso explicaria a precariedade das obras executadas na cidade.
Mais que uma denúncia isolada, o vereador expõe um sistema corrompido que, segundo ele, transcende partidos políticos:
“Votei no Rafael e vendo aqui. O sistema é esse, pro lado do Bolsonaro, do PT, do Rafael… vem tudo programado para a malandragem”.
Ele ainda alerta que 2026 será o “ano das falcatruas”, quando, segundo suas palavras, haverá liberação em massa de recursos para alimentar campanhas eleitorais. Um cenário de cinismo institucionalizado onde “quem tem a marca para tirar dinheiro de eleição são eles”.
E depois?
Após a enorme repercussão, Raimundo do Lero recuou. Procurado pelo próprio portal OitoMeia, negou envolvimento com o áudio. Disse que não é dele. Mas o tom da gravação, as expressões e a proximidade com os fatos narrados não convencem a todos. O estrago já estava feito.
Agora, resta a pergunta que ecoa do Norte ao Sul do Piauí: Lero foi pressionado? Está com medo? Ou tudo não passa de… “lero-lero”?
O silêncio ensurdecedor do Palácio de Karnak
Enquanto isso, o governo estadual mantém-se mudo. Nenhuma nota oficial. Nenhuma ameaça de processo por calúnia. Nenhuma iniciativa para esclarecer os fatos ou desmentir de forma contundente a denúncia. O silêncio, em casos assim, costuma ser um ruído perigoso. Porque quando quem deveria reagir com indignação opta pelo recolhimento, a suspeita cresce.
E os órgãos de controle?
Não há movimentação visível do Ministério Público, da Controladoria-Geral do Estado ou de qualquer instância oficial para apurar o caso. Nenhuma CPI, nenhuma investigação preliminar. O clima é de cautela, quase medo. Afinal, mexer com o alto escalão do poder estadual exige mais que coragem - exige independência.
Oportunidade ou ponto final?
Se a denúncia é falsa, o governo tem em mãos a chance de ouro para sepultar de vez os “conversotes” recorrentes sobre corrupção. Mas se for verdade - ainda que em parte - o caso abre uma ferida profunda na moralidade administrativa do Piauí.
Seja qual for a resposta, o que não se pode admitir é o silêncio como política oficial. O povo piauiense - que paga imposto, espera por estradas dignas, saúde funcional e escolas decentes - merece explicações. E, mais ainda, merece justiça.
Desde já o Gazeta Hora1 disponibiliza espaço para que a Secretaria de Comunicação do Estado do Piauí esclareça os fatos.
Confira o áudio:
EMENDA PARLAMENTAR Motta reage a Dino e acusa STF de criminalizar a atividade política
DIREITOS HUMANOS Governo Rafael Fonteles quer ensinar a polícia a ser polícia?
ELEITORADO FEMININO Flávio Bolsonaro reforça campanha com ex-presidente da Caixa e aposta no eleitorado feminino Mín. 20° Máx. 38°