
Se depender da bancada petista na Câmara dos Deputados, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não só perderá o mandato como será humilhado até o último tostão. O plano é simples — e cruel: cassar seu mandato, impedir qualquer chance de sustentação financeira e mantê-lo exilado, dependente de favores para sobreviver.
O líder do governo Lula na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), foi ao STF nesta terça-feira (22/7) pedir que o ministro Alexandre de Moraes impeça governadores aliados de nomearem Eduardo para cargos comissionados.
Governadores próximos à família Bolsonaro — como Cláudio Castro (RJ), Tarcísio de Freitas (SP) e Jorginho Mello (SC) — já sondavam uma manobra política para garantir que Eduardo mantivesse um salário ao se licenciar da Câmara e, assim, pudesse seguir sua luta contra a “perseguição judicial” do STF. Um cargo de secretário estadual, por exemplo, seria suficiente para garantir essa sobrevida política e financeira.
Cargos como secretário estadual são legais, previstos em lei, e deputados federais podem se licenciar para assumir funções no Executivo estadual, mantendo inclusive foro privilegiado. Não seria nada inédito — mas para a base petista, isso é inaceitável.
Lindbergh argumentou ao STF que a nomeação teria o único objetivo de “garantir sustentação financeira ilegalmente” ao filho do ex-presidente. Eduardo já teve salários e contas bancárias bloqueados no Brasil, por ordem de Moraes no último sábado (19).
Lindbergh acusa Eduardo de “atuar contra o Brasil” desde os EUA, promovendo reuniões com lideranças estrangeiras e defendendo sanções econômicas contra o país — o que, segundo o petista, já se refletiu no “tarifaço” anunciado pelo governo Trump sobre exportações brasileiras.
O líder do PT também pediu que Moraes determine que governadores “se abstenham de nomear Eduardo para qualquer função administrativa no serviço público brasileiro” e ainda quer que o deputado preste depoimento sobre uma live feita no domingo (20), onde ele teria ameaçado agentes da Polícia Federal.
Eduardo já é investigado no STF por coação no curso do processo, obstrução de Justiça, atentado à soberania nacional e crimes contra o Estado Democrático de Direito. Para seus aliados, é alvo de perseguição política. Para seus adversários, é inimigo declarado da democracia.
Mas para quem observa de fora, a pergunta inevitável é: até onde vai a sanha de um governo que não se contenta em cassar, mas quer destruir completamente a vida de um opositor?
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