
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amarga mais um recorde negativo em sua já desgastada popularidade. Segundo o Lulômetro, ferramenta criada por O Antagonista em parceria com a Real Time Big Data, a rejeição ao petista saltou para 46%, enquanto apenas 26% o consideram “ótimo/bom” e 25% avaliam como “regular”. Quando a medição diária estreou em 14 de julho, Lula ainda tinha 30% de aprovação. Em pouco mais de uma semana, a curva já era visivelmente descendente — e agora parece em queda livre.
O termômetro, atualizado diariamente e exposto com gráficos transparentes na página principal do site, se tornou um verdadeiro barômetro do humor do eleitorado. O resultado não é apenas estatístico: ele reflete um clima político, social e econômico cada vez mais sombrio para o Planalto.
Os fatores para a derrocada da imagem presidencial são muitos, mas um deles se destaca: a sensação generalizada de estagnação econômica e incompetência política. O governo falha em apresentar resultados concretos que devolvam ao brasileiro a confiança no futuro. Ao contrário, cresce a percepção de um governo refém do corporativismo, sem rumo estratégico e muito mais preocupado com narrativas do que com soluções.
A recente decisão dos Estados Unidos, por exemplo, de aplicar um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros — com impactos já sentidos no agronegócio, fruticultura e piscicultura — expôs a inércia diplomática do governo. A falta de reação imediata, com abertura de diálogo firme junto à Casa Branca, foi vista por muitos como mais um sintoma de apatia política e de perda de relevância internacional do Brasil sob Lula.
Outro fator corrosivo para sua imagem é a retórica cada vez mais dissociada da realidade: Lula insiste em discursos triunfalistas enquanto a inflação de alimentos castiga os mais pobres e a criminalidade explode nas cidades. Essa dissonância aprofunda o divórcio entre o governo e a população.
Os números do Lulômetro não são apenas frios: eles narram uma tendência preocupante para Lula. Se a aprovação não consegue superar consistentemente a casa dos 40% — patamar considerado mínimo para viabilizar um projeto de reeleição — a candidatura em 2026 entra em xeque. Com uma taxa de “ruim/péssimo” rondando a metade do eleitorado, a ideia de mais um mandato para o petista soa cada vez mais improvável.
O consultor político Roberto Reis resume bem: “há um abismo entre simplesmente sobreviver e caminhar com firmeza”. Lula, por ora, parece apenas tentando sobreviver.
O Lulômetro é apenas um termômetro — mas os dados refletem que o Planalto já vive febril. Se nada for feito para reverter o cenário — com respostas concretas aos desafios econômicos, diálogo diplomático eficiente e políticas públicas capazes de dar alívio à população — a tendência é que os números piorem ainda mais.
A popularidade em queda não é um detalhe: é o prenúncio de um governo acuado, incapaz de liderar e ainda menos de se reeleger. Se não corrigir o rumo, Lula corre o risco de chegar a 2026 tão fragilizado que sequer será competitivo.
Os números falam. Basta ouvi-los.
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