
No Brasil, esconder dinheiro virou uma arte. Ou melhor: uma vergonha. Políticos e seus comparsas parecem disputar um campeonato macabro para ver quem inova mais na hora de esconder o produto da corrupção. Já vimos malas, cuecas, caixas de uísque, cofres abarrotados, apartamentos alugados só para guardar milhões em cédulas — caso emblemático de Geddel Vieira Lima e seus R$ 51 milhões em Salvador, no governo Dilma.
Agora, a nova “criatividade” vem de um primo do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA): dinheiro escondido em sapato. Sim, você leu certo. Maços de notas foram achados dentro de um sapato na casa do vereador Francisco Nascimento, durante a 5ª fase da Operação Overclean, da Polícia Federal, que apura desvios de emendas parlamentares, corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro em Campo Formoso, Bahia.
A pergunta que não quer calar: até quando?
A investigação já levou ao bloqueio judicial de R$ 85,7 milhões e atingiu não só Francisco, mas também Elmo Nascimento — prefeito da cidade e irmão do deputado Elmar — em mais um retrato da promíscua relação entre poder local, verba pública e enriquecimento ilícito. Embora a PF tenha afirmado que Elmar não é formalmente investigado, fica difícil separar o cheiro de podridão que exala dessa família política.
Não é apenas sobre Francisco ou Elmo. É sobre o sistema. Sobre um Brasil onde cada operação policial descobre um esquema maior do que o anterior; onde um esquema bilionário no INSS durante o governo Lula 3 já arrancou mais de R$ 6,3 bilhões de aposentados e viúvas sem que ninguém se choque de verdade. Sobre um país em que políticos são flagrados, presos, soltos e voltam a ocupar cargos públicos como se nada tivesse acontecido.
O “sapato” de Francisco Nascimento é apenas um símbolo. Uma metáfora de como a sujeira é enfiada em qualquer canto, desde que longe dos olhos da Justiça — ou pelo menos por algum tempo. O brasileiro comum, que paga imposto para sustentar escolas caindo aos pedaços e hospitais sem remédio, precisa se perguntar: até quando vamos aceitar ser tratados como idiotas?
Geddel criou a “mala”. Francisco inovou com o sapato. Um assessor do atual líder do governo petista na Câmara já foi flagrado com dólares na "cueca". E amanhã? Qual será o próximo esconderijo? No fim das contas, todos eles escondem a mesma coisa: um sistema político apodrecido, sustentado pelo nosso silêncio e pela nossa complacência.
A Polícia Federal e a Justiça fazem o trabalho delas - embora às vezes tarde demais. Cabe agora ao eleitor não esquecer. E lembrar: dinheiro escondido em sapato é só a ponta de um iceberg chamado corrupção.
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