
O governo Lula respira aliviado, mas ainda caminha em terreno movediço. A nova pesquisa Genial/Quaest trouxe um dado que o Planalto fez questão de destacar: a desaprovação ao governo caiu de 57% para 53%, e a aprovação subiu de 40% para 43%. Uma melhora? Sem dúvida. Mas nada que mude a essência do quadro - a maioria do país ainda desaprova a administração petista, com uma diferença negativa de 10 pontos percentuais.
O que chama a atenção é que, fora das bases tradicionais do lulismo, especialmente entre eleitores de renda média, ensino superior e moradores do Sudeste, houve um leve movimento positivo. E os números deixam claro que isso tem mais a ver com o embate recente entre Lula e Donald Trump do que com avanços reais na economia ou nas políticas públicas.
A pesquisa mostra que nada menos que 72% dos brasileiros acreditam que Trump está errado ao impor tarifas ao Brasil, e 53% acham que Lula agiu certo ao prometer reciprocidade. A percepção pública foi de que o Brasil está sendo atacado injustamente - e isso turbinou, ainda que timidamente, a popularidade do presidente.
Mas é preciso ser honesto: isso não apaga o fato de que 69% dos entrevistados acreditam que Lula não está cumprindo suas promessas de campanha, e que a maioria ainda o vê como um governante mal-intencionado ou ineficaz. Ou seja: o “embate com Trump” foi apenas um bom argumento para dar à base um discurso de defesa e seduzir parte dos indecisos, não uma virada de jogo.
Analistas políticos mais prudentes apontam que essa melhora ainda é insuficiente para falar em reversão de tendência. Ela interrompe, de fato, uma sequência de quedas na popularidade que já durava meses - mas pode ser apenas um reflexo conjuntural do episódio com os EUA, uma espécie de “choque de patriotismo” que costuma durar pouco.
Para virar tendência, o governo precisaria melhorar substancialmente a economia, reduzir a percepção de que a vida piorou, dar respostas à violência e ao desemprego - áreas onde a insatisfação ainda é majoritária.
O Planalto tem razão ao celebrar o fato de que, mesmo sob forte desgaste, ainda há espaço para melhorar sua imagem. Mas a alegria não deveria ser desproporcional: os números continuam ruins, a maioria ainda desaprova o governo, e a confiança do brasileiro segue baixa.
O embate com Trump foi um respiro - mas não um salva-vidas. Se Lula quiser transformar essa melhora em algo duradouro, terá que entregar resultados concretos. Porque o brasileiro, como mostram os números, já não se contenta apenas com discursos e bravatas.
Por enquanto, é só uma trégua ilusória. E trégua, todo mundo sabe, não dura para sempre.
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