
André Janones (Avante/MG) sempre se orgulhou do título de “sem papas na língua” - um parlamentar destemido, sem medo de provocar adversários, especialmente os bolsonaristas, nas redes sociais e no plenário. Mas, nesta terça-feira (15), a língua mais rápida que a cabeça lhe rendeu um castigo inédito: o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou a suspensão de seu mandato por três meses.
Por 15 votos a 3, o colegiado considerou que o comportamento de Janones durante uma sessão no último dia 9, quando protagonizou um bate-boca com deputados do PL durante discurso de Nikolas Ferreira, ultrapassou a linha do aceitável. A Mesa Diretora classificou as provocações do mineiro como “manifestações gravemente ofensivas” e conduta incompatível com o decoro parlamentar.
O relator do processo, deputado Fausto Santos Jr. (União/AM), não poupou adjetivos: o comportamento foi grave, atentou contra o regular funcionamento do parlamento e exigia resposta. A punição inicial proposta era ainda mais dura - seis meses -, mas Fausto, numa dose de pragmatismo, reduziu para três.
E a sanção dói. Janones ficará 90 dias fora do mandato, sem direito a salário ou verbas, assistindo do banco de reservas enquanto seu suplente assume a vaga. Ele ainda pode recorrer ao plenário, mas dificilmente escapará ileso da marca de ser o primeiro “influencer político” suspenso por excesso de verve.
Não é exagero dizer que Janones colhe o que plantou. Sua carreira política é construída em cima de uma militância agressiva, sem freios, que beira o espetáculo. Sua rixa pública com Nikolas Ferreira já virou um reality show parlamentar, com direito a provocações dignas de uma guerra pessoal.
O mais irônico é que o autoproclamado defensor da moralidade - réu confesso por prática de rachadinha no próprio gabinete - agora paga um preço alto por não ter freado a própria língua. Para ele, talvez o ditado sirva como aviso: quem vive de lacrar, cedo ou tarde acaba sendo cancelado.
Resta saber se os próximos capítulos trarão a redenção ou o ocaso político de Janones. Por enquanto, sua suspensão soa menos como punição e mais como um recado: o plenário não é palco de stand-up, e a paciência dos colegas tem limite.
Agora é aguardar: o suplente assume, os proventos cessam, e o mineiro irreverente terá tempo de sobra para pensar se vale mais ser deputado ou ser meme.
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