
Finalmente, alguém no Partido dos Trabalhadores resolveu falar com bom senso. Em meio ao tom beligerante do novo presidente estadual do PT, deputado Fábio Novo, o ex-governador Wilson Martins trouxe a voz da razão ao debate interno e pôs o dedo na ferida: é ilusão achar que prefeitos petistas vão romper laços com Ciro Nogueira só porque a direção do partido resolveu ameaçá-los com expulsão.
Fábio Novo subiu o tom: avisou que qualquer prefeito do PT que ousar apoiar o senador progressista Ciro Nogueira em 2026 estará sujeito às “regras partidárias”, e que isso pode significar, sim, expulsão.
“Se não for do time, vamos ter que usar das regras do partido”, declarou com pose de general.
Disse ainda que conversará com os dissidentes, mas se não houver “entendimento”, aplicará a pena máxima.
É um discurso duro, mas irrealista - e Wilson Martins não deixou barato. Para ele, é “força de expressão” achar que o PT vai mesmo ter coragem de expulsar prefeitos por gratidão ou pragmatismo político. E vai além:
“Sempre existiram esses estresses e vão continuar existindo, mas a capacidade de articulação de Wellington e Rafael vai superar isso. Não vai precisar expulsar ninguém”, afirmou.
Martins toca num ponto incontornável: qual prefeito do Piauí, mesmo filiado ao PT, não tem motivos para agradecer a Ciro Nogueira? Eleito senador mais municipalista do Estado, Ciro nunca discriminou prefeito por partido. Ao contrário: distribui emendas, abre portas e resolve demandas para todos os municípios, sem olhar para a cor da bandeira partidária. Por isso mesmo, há quem diga que os prefeitos do PT têm, de fato, “três senadores”, mas só o do PP “não nega fogo”.
Fábio Novo talvez tenha esquecido que política não é uma "ciência exata" e, nem só estatuto - é gratidão, é pragmatismo, é sobrevivência eleitoral. E é isso que Wilson Martins enxerga: expulsar prefeitos seria não apenas um erro estratégico, mas um tiro no próprio pé do partido. Afinal, quem governará sem base municipal? Quem fará campanha sem a estrutura dos prefeitos?
Se o PT insistir em aplicar a lei de ferro de Fábio Novo, corre o risco de ver prefeitos em massa caminharem para os braços do adversário - não por traição ideológica, mas por simples lealdade a quem mais fez por suas cidades.
No xadrez político piauiense, o recado está dado: a gratidão a Ciro Nogueira é um ativo que nem mesmo a 'cartilha rígida' do PT consegue apagar. E Wilson Martins sabe disso.
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