
O senador Rogério Marinho (PL/RN) não poupou palavras ao confrontar o senador petista Jacques Wagner durante um debate na GloboNews, ao tratar da gigantesca fraude contra idosos no INSS. Marinho criticou duramente a omissão seletiva do governo Lula diante das denúncias e cobrou a instalação imediata de uma CPMI para investigar o esquema.
“Todo dia, a gente está vendo um problema novo aparecendo. A fragilidade da maneira como o PT lidou com esse processo, ou o governo prevaricou, ou o governo foi incompetente. Tem alguma coisa muito podre no ‘reino da Dinamarca’, e isso tem que ser investigado numa CPMI”, disparou Marinho.
E de fato, ele tem razão. Quando se pensa que o governo Lula 3 já chegou ao fundo do poço, novos escândalos expõem ainda mais a podridão entranhada nas instituições. Agora, como se não bastasse o descaso com os aposentados e a corrupção que corrói o INSS, descobre-se que até a estrutura dos Correios vem sendo usada por traficantes para espalhar drogas pelo Brasil. Sim - caminhões oficiais dos Correios transportando cocaína e maconha para vários Estados, disfarçados com fundos falsos, pneus recheados e até cal para mascarar o cheiro.
Na última quinta-feira (3/7), a Polícia Federal deflagrou a Operação Specula para desarticular uma quadrilha de tráfico internacional de drogas que utilizava a frota dos Correios para escoar entorpecentes. A organização criminosa operava a partir de um entreposto em Foz do Iguaçu (PR) e já havia movimentado mais de 6 toneladas de maconha e mais de 100 kg de cocaína.
Durante a operação, foram apreendidos veículos, joias, dinheiro escondido em caixas de sapato, além da prisão de vários integrantes da quadrilha. Uma das descobertas mais estarrecedoras foi justamente o uso sistemático de caminhões dos Correios para dissimular o transporte das drogas.
Não se trata de um caso isolado. Em 2023, outro carregamento de drogas já havia sido interceptado em veículos da empresa estatal. Em janeiro deste ano mais apreensão. Mas o que o governo fez desde então? Quais medidas foram tomadas para proteger a instituição? Alguém foi punido? Ou só afastado enquanto o crime continuava operando à sombra do poder?
Essa sucessão de fatos levanta uma pergunta incômoda: quando as instituições do Estado passam a servir ao tráfico e ao crime organizado, como se chama isso? Narcoestado? Estamos diante de um Estado cada vez mais capturado por facções e organizações criminosas, com autoridades fazendo vista grossa ou simplesmente incapazes de enfrentar o problema?
E no caso do INSS? Até agora ninguém sabe a extensão real da fraude milionária contra aposentados e idosos vulneráveis. Muito menos quem vai devolver os valores roubados ou responder criminalmente. A retórica de culpar governos anteriores já não cola mais. E a cada novo escândalo a sensação de impunidade só aumenta.
Outro fato que chama a atenção é o silêncio ensurdecedor da velha mídia - aquela que vive às custas da máquina pública. Pouco ou nada se falou sobre esse escândalo gravíssimo envolvendo o uso de caminhões dos Correios, uma estatal, no transporte de drogas. Parece que, para as grandes emissoras, jornais e portais, esse tipo de crime foi, de alguma forma, normalizado.
Agora, imagine se tudo isso tivesse ocorrido em um governo que não fosse de esquerda, que não tivesse Lula e sua companhia limitada no comando. A cobertura midiática seria massiva, com manchetes diárias e editoriais inflamados. Mas como o escândalo atinge o governo “certo”, a indignação some, a imprensa finge que não viu - e o povo continua sendo enganado.
Essa seletividade da mídia, essa complacência com o crime e os criminosos de colarinho branco ou fuzil na mão, é que levam muitos a acreditar que "o jornalismo morreu". Quem cala geralmente consente. E nesse caso, consentir é compactuar.
O fato é que a podridão já fede e ameaça a confiança da sociedade nas instituições públicas. O crime desafia o governo, a lei e a própria ideia de Estado de Direito. E se não houver uma resposta firme, imediata e exemplar - como a CPMI defendida por Marinho - o Brasil continuará trilhando o perigoso caminho de se tornar um narcoestado às claras.
Até quando?
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